O Grande Debate: Gisele e Anastácio avaliam saída de Bolsonaro pelas ruas do DF

Gisele e Tiago debatem sobre a atitude do chefe do Executivo em meio à pandemia do novo coronavírus, de circular pelas cidades e conversar com apoiadores

Da CNN em São Paulo
30 de março de 2020 às 11:28 | Atualizado 30 de março de 2020 às 14:10
 

A caminhada não prevista do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelas ruas e cidades do Distrito Federal no último domingo (29) foi alvo de críticas por parte de autoridades do próprio governo. Em meio à pandemia do novo coronavírus, Bolsonaro foi ao Hospital das Forças Armadas e, em seguida, visitou e falou com comerciantes e moradores da região ao longo do trajeto, contrariando orientações de isolamento.

Vale lembrar que o hospital visitado por Bolsonaro, está no centro da polêmica do coronavírus, por não ter divulgado os resultados de todas as pessoas que estiveram na comitiva presidencial que viajou aos Estados Unidos, no início de março e que foram testadas no local. Entre os membros da comitiva que testaram positivo para o coronavírus está o ministro Fabio Wajngarten. 

Após as visitas compartilhadas pelo chefe do executivo em perfis de redes sociais, duas publicações feitas pelo presidente foram apagadas na noite do domingo, por 'violação a regras do Twitter', que se comprometeu a monitorar fake news e outros conteúdos que possam agravar o quadro da pandemia.

Os posts excluídos eram vídeos dos passeios que o presidente fez neste domingo em Brasília, contrariando as recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) de evitar aglomerações

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No Grande Debate desta segunda-feira (30), Gisele e Tiago discutem a atitude de Bolsonaro de ir às ruas – mesmo contrariando as recomendações do Ministério da Saúde – e a declaração sobre a possibilidade de editar decreto, permitindo que trabalhadores que quiserem deixem a quarentena. 

Em suas considerações finais, Tiago Anastácio foi irônico com relação à postura de Bolsonaro. "Fico feliz que o presidente tenha passado o recado, que o remédio demasiado pode causar efeitos danosos. Até porque ele, a partir de um mal exemplo, gerou uma corrida às farmácias do país por causa deste medicamento. Que bom que a partir destes tweets, o tom foi alterado, que bom que ele parece estar, agora, neste momento preocupado com as redes sociais e que ele modulou o discurso. Até mesmo porque, hoje, o ministro Paulo Guedes afirmou que, ele como ministro da Economia, gostaria que os empregos voltassem, mas ele, como cidadão, gostaria que as pessoas ficassem em suas casas.

E concluiu : "Que bom que pelo menos o presidente se adapta às regras de uma rede social, já que nas regras constitucionais nós estamos com algumas dificuldades. Ele também afirmou, hoje, que todo mundo vai morrer um dia, esta não é a observação que uma população espera e que está com medo da morte, medo do contágio. Temos cada vez mais problemas, dramas em razão das palavras do presidente. Não se pensa aqui, não se pede aqui que ele tenha um mal governo, pedimos que tenha. pelo menos. um governo (...) Ele permanece em eleição, ele busca legitimidade de todos os setores. Não ouçam Jair Bolsonaro, é hora de ouvirmos médicos e técnicos", finalizou. 

Por sua vez, Gisele classificou como "ponderada" a postura de Bolsonaro, tanto na caminhada feita do domingo quanto em todo o tempo quando se trata de combate ao novo coronavírus. Ela também criticou a decisão do Twitter de retirar as mensagens do presidente do ar. "Vejo com preocupação os tweets que foram apagados, qualquer tipo de censura, seja de quem for, não pode ser vista como um bom sinal. Mas a mensagem é muito importante, a fala de Guedes também segue no mesmo sentido. Estamos todos atentos, o brasileiro está se cuidando, respeitando a quarentena. Existem aqueles que estão se sentindo desesperados e que também precisam ser ouvidos e precisamos achar uma solução para estas pessoas."

E reforçou: "Eu discordo do Tiago [sobre o país estar sem um direcionamento], acho que temos liderança e acho importante que sigamos e respeitemos esta liderança. De novo, o assunto morte é muito difícil de ser discutido, mas estamos sendo constantemente ameaçados por esta pandemia".