Parque Olímpico do Rio pode virar hospital de campanha contra coronavírus


Do Estadão Conteúdo
04 de abril de 2020 às 13:45
Vista geral aérea do Parque Olímpico da Barra da Tijuca na zona oeste do Rio de

Vista geral aérea do Parque Olímpico da Barra da Tijuca na zona oeste do Rio de Janeiro

Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo -01/08/2017

O Ministério da Economia selecionou 80 imóveis da União, entre eles o Parque Olímpico do Rio, para a construção de hospitais de campanha em todo o Brasil. São prédios, terrenos e galpões que estão sem uso, muitos na lista para serem vendidos.

Com a pandemia, o governo suspendeu as licitações e repassou a lista ao ministérios da Defesa e da Saúde, que serão os responsáveis pela vistoria das áreas e construção dos hospitais. Isso será feito segundo a demanda de cada região, na medida em que a doença avance e a necessidade de leitos aumente.

"Precisamos ter alternativas para a possibilidade de o sistema público de saúde colapsar. Existem diferentes cenários, quanto mais subir a curva (de infectados), mais necessidade de atendimento. Nesse sentido, o governo já está com a área mapeada", explica o secretário de Coordenação do Patrimônio da União do Ministério da Economia, Fernando Bispo.

Foram reservados espaços nos 27 Estados. Na lista, há de prédios históricos a grandes terrenos, como as áreas do Pátio do Pari, com 120 mil m², onde funcionava a Feira da Madrugada, e o Pátio ferroviário de Pirituba, com 31,6 mil m², ambos em São Paulo.

No Rio, foram selecionadas as instalações do Parque Olímpico da Barra --onde foram disputadas as competições na Olimpíada de 2016-- , o Edifício A Noite (na Praça Mauá), que na época de sua inauguração, em 1930, chegou a ser considerado o mais alto do mundo em concreto armado, e uma área da Quinta da Boa Vista, um parque em São Cristóvão.

Três estádios também estão no grupo: em Curitiba (PR), o Estádio do Paraná Clube (Vila Capanema), em Teresina (PI) o Estádio Rei Pelé (Trapichão) e o Estádio de Futebol Aluízio Ferreira (Aluizão), em Porto Velho (Rondônia). As arenas estão em áreas da União cedidas aos clubes. No caso de Curitiba, a área já foi avocada para ficar na reserva em caso de necessidade.

Segundo Bispo, a ideia é que, nas áreas abertas, sejam construídas estruturas temporárias, como a que está sendo feita no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. Já prédios e outras construções podem passar por reformas e adaptações e serem aproveitados como hospitais.

A intenção foi escolher duas áreas em cada grande centro, uma para a triagem e outra para internações, que tenham fácil acesso e proximidade com hospitais e centros de saúde já existentes. Foram reservados espaços em todas as capitais e em grandes centros.

Com o maior número de casos, o estado de São Paulo é também o que possui mais espaços à disposição. São quatro áreas na capital e 16 no interior. Em São Paulo, os locais estão em um cinturão na região central: além dos dois terrenos, há ainda uma antiga escola na região Sul, na área de Interlagos e da represa Billings, e um sítio com 189 mil m² na Anhanguera.

No interior, foram selecionadas áreas em Campinas, Bauru e Mogi das Cruzes.Também foram reservados antigos galpões do Instituto Brasileiro do Café pelo país e um edifício da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Goiás, e até um clube de servidores, no Distrito Federal.

Na Bahia, um antigo prédio do Dnit, em Salvador está na lista, assim como o Edifício da Sudene, em Recife (PE). No Maranhão, um campo de futebol com 5,9 mil km² foi reservado em Imperatriz. Na Região Norte, foram listados espaços como o Armazém Central, em Manaus (AM), e um ginásio em Porto Velho (RO).

De acordo com o secretário, novas áreas poderão ser selecionadas à medida em que a pandemia avance. O Ministério da Defesa começou agora a vistoria dos imóveis. Em Roraima, um hospital de campanha em área da União já está em fase final de construção pelo Exército.