Paciente com lúpus relata drama de busca por cloroquina em farmácias

Mesmo sem eficácia comprovada, medicamento começou a ser comprado para uso preventivo ao coronavírus

Da CNN, em São Paulo
10 de abril de 2020 às 13:00

Diagnosticada com lúpus, a advogada Camila Camargo enviou relato à CNN falando sobre a dificuldade para encontrar a cloroquina, que é usada no tratamento da doença autoimune e sem cura. O motivo da falta nas farmácias tem sido o interesse pelo uso preventivo do medicamento diante do novo coronavírus. 

Embora a medicação esteja sendo usada em alguns hospitais para tratar pacientes com coronavírus, ela não teve eficácia comprovada, mas a falta dela afeta diretamente as pessoas que tomam por indicação médica em tratamentos para, além de lúpus, a artrite, por exemplo.

À CNN, Camila descreveu a luta para encontrar cloroquina. "No começo da pandemia, eu tinha, ainda, nove doses do medicamento e não conseguia encontrar em farmácia nenhuma", disse ela, que ainda buscou ajuda de amigos, mas, ainda assim, não teve sucesso. "Acessei minha rede de amigos e eles começaram a procurar em todas as farmácias próximas das casas deles", contou.

Sem outra alternativa, a advogada buscou a medicação por meio de farmácias de manipulação e ficou impressionada com o alto custo. "Foi quando eu soube que poderia manipular a medicação. A medicação manipulada é muito mais cara. Cheguei a fazer orçamento que deu mais de R$ 600 para três meses do remédio", informou.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia, até o momento não há nenhum medicamento com eficácia comprovada contra a COVID-19. Diante do esvaziamento das prateleiras, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aumentou o controle da receita para a compra do medicamento -- que agora só é vendido com prescrição em duas vias e até cinco unidades.