'Único caminho possível é o isolamento', afirma prefeito de Campo Grande

Capital do Mato Grosso do Sul tem 54 casos confirmados do novo coronavírus e nenhum óbito

Da CNN em São Paulo
13 de abril de 2020 às 10:22 | Atualizado 13 de abril de 2020 às 12:06


Em entrevista à CNN, nesta segunda-feira (13), o prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD-MS), listou uma série de medidas que o município tem adotado para combater ao novo coronavírus. Ele avalia que o isolmanto é o 'único caminho possível' para combater a COVID-19 e disse que o munícipio foi um dos primeiros do país a anunciar medidas preventivas contra o vírus.

"Algo que chama atenção [o isolamento na cidade] principalmente porque neste caminho de escuridão a única certeza é o isolamento. É a medida mais eficiente, eficaz e, acima de tudo, mais responsável para aqueles que têm condições de governar multidões para que a gente possa superar este momento de extrema dificuldade em todo o planeta", reforça.

Quanto às medidas restritivas, o prefeito reforçou que foi pioneiro nas ações de combate à doença e que isso influenciou no número de casos confirmados. "Já no final do ano de 2019 a preocupação veio muito forte para mim. No final de fevereiro eu criei um plano municipal de enfrentamento ao coronavírus".

"Naquele instante, algumas pessoas me chamaram de extremanete cauteloso, com medidas desnecessárias e excessivas. Mas hoje nós não temos nenhum óbito, além de ter 54 casos confirmados e 32 suspeitos.", alegou o prefeito. 

"Campo Grande foi uma das primeiras capitais do Brasil, já no dia 16 de março, a emitir um decreto para suspender aulas nas universidades, escolas públicas e particulares. Em seguida, proibimos a permanência de pessoas acima de 60 anos nos órgãos públicos sem prejuízo ao seu salário e a suspensão do Passe Livre dos idosos, estudantes e comorbidades", listou Marquinhos Trad.

Sobre a atual situação da cidade, ele ponderou e fez críticas ao comportamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em relação às medidas de isolamento. "Foram medidas de extrema cautela, prudência até por que estamos enfrentando um inimigo legal. Preferi recuar um pouco para que nesses 15 dias de isolamento, eu pudesse definir estratégias bem direcionadas para reduzir ou até mesmo chegar à vitoria contra a COVID-19" 

"Todavia teve uma certa turbulência após discurso do presidente da República, no dia 24 de março, onde as pessoas criaram uma certa musculatura para desrespeitar algumas regras dos decretos. Mas não foi o suficiente para nos abalarmos e estamos seguindo à risca o toque de recolher, fechamento das escolas, suspensão do transporte coletivo e medidas que exigem pelo menos a consciência e ajuda da população", reafirmou. 

Questionado sobre a economia e o suporte dado aos comerciantes parados por conta da crise, Trad alegou dar todo suporte. "A partir do momento que nós criamos o fechamento da ativdade comercial, havia dois valores fundamentais: a vida e a economia. Foi uma decisão muito dificil, todavia optei pela vida mas não me distanciei do dilema da economia. Aquilo que cabia ao poder municipal fazer, nós fizemos"

Entre as medidas econômicas adotadas, o prefeito continuou. "Pedi para que não cortasse água por falta de pagamento e religasse quem teve o corte realizado por falta de pagamento, suspenti o ISS do IPTU, reordenei o sistema econômico contábil da prefeitura, entregamos kit merenda para as pessoas mais vulneráveis e estamos criando um plano de reabertura da atividade comercial juntamente com as autoridades para que eles possam retornar gradativamente e reduzir o impacto que é uma consequência natural", finaliza Marquinhos.