Quase 1 milhão já foram demitidos de bares e restaurantes, diz associação

Talis Maurício Da CNN, em São Paulo
14 de abril de 2020 às 14:07
 
Comércio fechado em São Paulo
Foto: Amanda Perobelli - 20.mar.2020/ Reuters

A quarentena, que restringe o funcionamento do comércio em diversos estados brasileiros, provocada pela pandemia do novo coronavírus, já gera fortes impactos negativos no setor de bares e restaurantes.

Segundo Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), dos cerca de 1 milhão de estabelecimentos comerciais voltados à alimentação fora do lar, ao menos 10% – aproximadamente 100 mil locais – fecharam as portas de forma definitiva até o momento. A associação afirma que, por esse motivo ou dificuldades no pagamento de salários, cerca de 15% dos trabalhadores do setor foram demitidos, mais de 900 mil funcionários.

A Abrasel estima que, se a quarentena durar até o final do mês de abril, a recuperação econômica do setor deverá levar entre seis meses e um ano ou até um ano e meio. “Certamente teremos recessão na saída da crise”, avalia o presidente da entidade, Percival Maricato.

Só o estado de São Paulo tem cerca de 200 mil estabelecimentos e, aproximadamente, 1,2 milhão de funcionários. A Abrasel estima que, na capital paulista, 70% dos estabelecimentos estão trabalhando via delivery. “No caso do delivery através de aplicativos, a entidade vem manifestando sua preocupação ante a forma como a atividade vem sendo executada pelas grandes plataformas - IFood, Uber e Rappi. O atendimento aos restaurantes tem apresentado falhas, muitos estabelecimentos somem da exposição no sistema em horários de grande movimento. Os entregadores têm reclamado das condições de trabalho, entre outros problemas detectados”, diz Maricato.

Segundo ele, os entraves serão discutidos com empresários do setor nos próximos dias. “Em decorrência dos prejuízos e insegurança, alguns empresários analisam a hipótese de suspender o serviço de delivery, um dos poucos meios de renda que os bares e restaurantes possuem para sobreviver e manter seus funcionários neste momento”, conclui.