Para enfrentar COVID-19, União, estados e municípios vão a bancos internacionais

Em março, o governo federal encaminhou uma proposta de empréstimo de US$ 100 milhões ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento

André Spigariol, da CNN, em Brasília
15 de abril de 2020 às 10:43
Profissionais de saúde atendem paciente em hospital de campanha em Manaus
Foto: Bruno Kelly - 14.abr.2020/ Reuters

As três esferas da Federação buscam apoio financeiro junto a bancos internacionais para enfrentarem os efeitos da pandemia do novo coronavírus no Brasil. Além do Ministério da Saúde, ao menos dois estados e quatro municípios procuraram o Ministério da Economia para encaminhar suas demandas de financiamento externo para ações de combate à doença, através de mecanismos como o Fonplata (Fundo de Desenvolvimento Financeiro da Bacia do Prata), o Banco Mundial e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

No final de março, o governo federal encaminhou uma proposta de empréstimo de US$ 100 milhões ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), instituição que integra o Banco Mundial. 

De acordo com o projeto enviado ao Ministério da Economia, a verba seria utilizada pelo Ministério da Saúde para a aquisição de testes rápidos, testes moleculares e contratação de médicos e outros profissionais da saúde para atendimento a casos do novo coronavírus. 

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O mesmo valor também foi solicitado pelo governo do estado de São Paulo ao Bird. Com a verba, SP pretende abrir 500 novos leitos de UTI no estado, além de capacitar 2 mil profissionais da saúde para tratamento da COVID-19. 

Já o Fonplata - banco composto por Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai - foi procurado pelas prefeituras de Corumbá (MS), Criciúma (SC), Itajaí (SC) e Ponta Porã (MS) para apoiar ações de combate aos efeitos da pandemia. As duas cidades catarinenses pleiteiam um repasse de US$ 100 mil cada uma. Os recursos seriam utilizados para ampliar leitos em Itajaí e reformar um centro médico em Criciúma para atendimento a casos de da doença.

Enquanto isso, Corumbá busca US$ 50 mil para a aquisição de camas hospitalares. Já sua conterrânea, Ponta Porã, quer US$ 100 mil para comprar cestas básicas e testes rápidos para diagnóstico do novo coronavírus. Os alimentos seriam distribuídos a 2 mil famílias vulneráveis aos efeitos da crise.

Efeitos na economia

O governo de Pernambuco encaminhou um ofício para o Ministério da Economia, no início de abril, solicitando aval do governo federal para obter um empréstimo junto ao Banco Industrial e Comercial da China (ICBC). 

Sem detalhar valores, o governo pernambucano disse que a instituição “fornece crédito para o estado bem como para as empresas, com carência de 2 anos, tendo como finalidade o financiamento de quatro meses das despesas das empresas”.