Osasco gasta R$ 150 mil com equipamento que não é 100% eficaz contra COVID-19

Prefeitura cria estação de higienização que borrifa uma substância química antes de as pessoas entrarem na estação da CPTM

Paula Forster e Talis Mauricio Da CNN, em São Paulo
14 de abril de 2020 às 21:13
Estação de higienização na estação Osasco da CPTM
Foto: Talis Mauricio/CNN

Com o objetivo de conter o avanço do novo coronavírus, a Prefeitura de Osasco, na Grande São Paulo, adotou uma medida inusitada. Instalou uma tenda de higienização para pessoas na entrada da principal estação de trem da cidade, na região central. 

O equipamento funciona 24 horas, a partir de borrifadores que lançam uma substância química nos pedestres que deixam ou entram na estação. O líquido é composto por hipoclorito de sódio, ou água com cloro em baixos níveis, e extrato vegetal (sabonete líquido). 

Ao passar pela Estação de Higienização, o cidadão é orientado por profissionais no local a abrir os braços. O composto higieniza roupas e pertences pessoais, como bolsas, mochilas e sacolas.

Pela inovação, o equipamento chama a atenção. Mas também desperta o interesse por um outro motivo: o custo. Segundo a Prefeitura de Osasco, o serviço foi contratado por três meses, a um preço mensal de R$ 48,5 mil – total de R$ 144 mil. O contrato se deu de forma emergencial, sem licitação, já que o município decretou estado de calamidade pública recentemente. 

O combate à proliferação do novo coronavírus na tenda, no entanto, não é 100% eficaz. A empresa contratada para implantar e operar o sistema, a AM Serviços, informou para a CNN que a iniciativa é mais uma ação de higienização e conscientização, e não de desinfecção total do vírus. Ou seja, se a pessoa estiver contaminada, a água clorada vai baixar o nível, mas não vai garantir a imunidade total. 

A pedido da CNN, o médico infectologista Marcelo Otsuka, da Sociedade Brasileira de Infectologia, avaliou a eficiência da medida. 

“Em superfícies metálicas e vegetais, o hipoclorito é bastante eficaz. Mas para ser borrifado em pessoas precisa ser analisado os eventos adversos e o quanto tem de eficácia. Acho que todas as medidas de instrução e orientação para a população são extremamente válidas. Mas temos que tomar cuidado para que isso não dê uma falsa sensação de proteção aos indivíduos e, consequentemente, eles não façam o que realmente precisa ser feito”.

Para um combate mais eficaz ao COVID-19, a empresa informa que o equipamento conta no local com pias nas laterais, para a lavagem das mãos dos pedestres, e a disponibilidade de álcool em gel. 

O prefeito de Osasco, Rogério Lins, avalia como positiva a iniciativa. “Não temos medido esforços no combate ao coronavírus. Temos buscado alternativas para reduzir a disseminação do vírus. No entanto, ainda enfrentamos dificuldades do entendimento da população, que insiste em não respeitar o isolamento social, sendo que o isolamento é uma das medidas mais importantes no combate ao vírus”, disse.

Segundo a prefeitura, mesmo com a quarentena cerca de 80 mil pessoas ainda circulam pela região centrão de Osasco. Por isso a importância de uma ação de conscientização e orientação da população, segundo o prefeito. Em dias normais, o centro recebe até 350 mil pessoas. 

A empresa contratada para prestar o serviço diz que o equipamento segue as especificações do Conselho Federal de Química, que integra o Technical Brief, da Organização Mundial de Saúde, no enfrentamento à pandemia do coronavírus.