O Grande Debate: Demissão de Mandetta e os embates entre Bolsonaro e Maia

Augusto de Arruda Botelho e Caio Coppolla comentaram o agitado dia da política brasileira

Da CNN, em São Paulo
16 de abril de 2020 às 22:12 | Atualizado 16 de abril de 2020 às 22:18

O Grande Debate da noite desta quinta-feira (16) abordou o principais temas dia. O primeiro assunto abordado foi a demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde. Depois, Augusto de Arruda Botelho e Caio Coppolla comentaram o conflito público entre Jair Bolsonaro (sem partido) e Rodrigo Maia (DEM-RJ) em entrevistas exclusivas à CNN.

Sobre a troca de ministros, Augusto enxergou a medida com preocupação, dizendo que o ato se assemelhou a uma “troca do motorista de uma ambulância com ela em movimento e um paciente na maca”. Disse também que, estrategicamente, o ato não faz sentido.

  Leia também:

  'Maia tem de me respeitar como chefe do Executivo', diz Bolsonaro

  Maia responde Bolsonaro: presidente nos joga pedras, Parlamento vai jogar flores

  Análise: Bolsonaro chama Maia para a briga

  Ao lado de Bolsonaro, Teich indica poucas mudanças e fala em preocupação social

  Após demissão, Mandetta diz que mudar abordagem contra COVID-19 seria 'precoce'

Sobre as falas de Bolsonaro para Rodrigo Maia, Augusto disse: “Entendo as falas do presidente como um discurso no espelho. Ele chamou Maia para a briga, e ele [Maia] não entrou”.

Já Caio vê com bons olhos a troca, afirmando que quem ganha são “a área técnica e o Brasil”. O comentarista também elogiou o substituto de Maia, Nelson Teich. “O quadro novo é um oncologista bem sucedido em sua área e como consultor em gestão de saúde e inovação tecnológica. Trouxe um discurso racional e equilibrado, e vai além da sua área de atuação, sem visão binária das coisas. Temos agora um ministro que leva em conta diferentes campos da ciência”, disse.

A mediadora do debate, Monalisa Perrone, citou frase de Bolsonaro na entrevista, em que disse que “Maia conduz o Brasil para o caos”. Augusto disse discordar frontalmente: “Quem conduz o país ao caos é Bolsonaro ao trocar o comandante do exército no meio da guerra. É extremamente perigosa e irresponsável a postura do presidente de chamar para a briga o presidente da Câmara neste momento. Por sorte, Maia não caiu nessa e deixou o presidente ainda mais isolado. O problema é que pessoas isoladas tendem a ter medidas drásticas”, afirmou.

Para Caio, a fala de Bolsonaro é uma reação genuína aos problemas que sua gestão vem encontrando diante de Rodrigo Maia. “Ele começa a entrevista sereno, e, conforme avança, sobe o tom. Não dá para saber se foi intencional, mas a indignação parece genuína e fundamentada: Maia se arvora em direitos inexistentes e ignora a separação de poderes. Concordo que não é hora de isolar lideranças”, disse.

Monalisa entrou novamente no debate e disse que a causa das críticas de Bolsonaro é o pacote de ajuda aos estados, especificamente a medida que garante a restituição de ICMS e ISS para estados municípios por parte do governo federal, que foi aprovada em sessão de cinco horas da Câmara, agilidade também criticada pelo presidente.

Augusto disse que se surpreenderia com a agilidade se fossem aprovação de “temas de longo prazo”, mas, como se trata de uma medida emergencial, “deveria ter sido ainda mais rápido”. Ele disse que os principais pontos de discussão foram o tamanho e o prazo da ajuda, questão essenciais. “Teve a discussão sobre os valores do aporte e o prazo, preocupação legítima com o tamanho do rombo que a medida irá gerar. Essa foi a negociação do dia. Curioso que Bolsonaro conhece o dia a dia da Câmara e quer discutir a tramitação. Ele coloca lenha em uma fogueira que não deveria estar acesa”, disse.

Já Caio criticou a medida, a nomeando como “imunidade fiscal diante do vírus”. “O que foi aprovado foi um seguro-impostos, em que toda queda de arrecadação passa a ser coberta pelo governo federal. Essa conta vai sobrar para pagadores de impostos. É uma falsa solução de curto prazo sem contrapartidas, nascida de acórdão embasado em oportunismo político”.