O Grande Debate: Legislativo é contra a presidência de Bolsonaro?

Para Thiago Anastácio, a discussão entre Bolsonaro e Maia "está chegando quase no ridículo". Renata Barreto diz que o presidente da Câmara se recusa a cooperar

Da CNN, em São Paulo
17 de abril de 2020 às 11:02

Com a troca no comando do Ministério da Saúde e a nova crise instaurada entre Jair Bolsonaro (sem partido) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), O Grande Debate desta sexta-feira (17) põe em pauta as crises políticas entre Legislativo e Executivo. O Legislativo é contra a presidência de Bolsonaro? Essa foi a pergunta que o advogado Thiago Anastácio e a economista Renata Barreto bsucaram responder hoje.

Além do tema principal, os debatedores ainda falaram sobre a saída de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde e a escolha do oncologista Nelson Teich para o cargo. 

Sobre Maia e Bolsonaro, Thiago Anastácio avalia que situação"está chegando quase no ridículo". O advogado ainda defendeu que "Maia está errado, mas não há santo nessa história. A agressão partiu da Presidência da República e eles precisam parar com isso", afirmou.

Renata Barreto disse concordar parcialmente com a afirmação de Bolsonaro, sobre Maia estar levando o Brasil ao caos. "Bom, ele pode levar para o caos mesmo, se o Plano Mansueto, que foi completamente desconfigurado, for aprovado exatamente desta maneira", considerou.

"Eu prefiro verdades grosseiras do que mentiras fofas, então Bolsonaro falou coisas que estão absolutamente corretas em relação a Maia", acrescentou a economista, que ainda afirmou que o presidente da Câmara "se recusa a trabalhar com o Ministério da Economia".

Thiago disse acreditar que, apesar dos embates, Maia não parece ter a intenção de tirar o mandato presidencial de Bolsonaro e o presidente é quem vê inimigos em várias figuras. "Segundo a ótica dele, tem o Supremo Tribunal Federal (STF), o Congresso Nacional, o jornalismo, além de problemas com os governadores. Então, ele tem muitos problemas com muita gente", ironizou.

Dentro deste cenário, Bolsonaro estaria se "isolando cada vez mais", segundo o advogado, que classifica isso como "perigoso e ruim para o país". "O presidente da República precisa parar de ver inimigos e saber que se há o apontamento de um conflito que sirva de sinal para o diálogo", defendeu.

Renata acredita que a questão o conflito se dá porque que Maia distorce informações e "tem uma maneira de falar coisas bonitinhas, mas que, nos bastidores, são outras". 

Considerações finais

O Grande Debate: o advogado Thiago Anastácio e para a economista Renata Barreto
Foto: CNN (17.abr.2020)

Primeira a fazer as considerações finais, Renata Barreto concluiu dizendo que embates políticos são naturais, mas que "não podemos deixar de ver a realidade". "E o que eu tenho visto bastante são esses ataques do presidente da Câmara ao governo federal, de uma maneira bastante baixa, sendo que ele fala a todo momento que está a favor do Brasil. E eu só vejo ele em favor dele mesmo e dos benefícios que quer para a classe política dele", criticou.

Em relação à troca no comando do Ministério da Saúde, a economista afirmou avaliá-la como positiva, porque considera que "já não tinha mais nenhum tipo de relação possível entre Mandetta e Bolsonaro". "Esse é um ministro que parece ser bastante técnico e capacitado, com uma visão realista da econômica, e consegue entender que a flexibilização pode acontecer de uma maneira inteligente", elogiou. "Que esse seja o começo de um bom desfecho para essa pandemia", finalizou.

Thiago Anastácio encerrou falando também da mudança na pasta da Saúde e manifestou preocupação com a formação da nova equipe técnica. "Que ele possa ter liberdade para escolher os seus próximos que irão auxiliá-lo", disse.

O advogado ainda citou outro receio, mas, dessa vez, com as alegações de Bolsonaro. "O presidente disse que o Judiciário e Legislativo estão querendo armar contra ele e que isso teria vindo do setor de inteligência. Presidente da República, como é que o senhor sabe disso?", questionou.

"Agentes da Abin [Agência Brasileira de Inteligência] estão monitorando líderes do Congresso e ministros do Supremo? Ninguém fez essa pergunta até agora e faço em público porque isso é grave e precisa ficar claro", finalizou.