Prefeito de São Bernardo diz que precisa de recursos externos para manter cidade

Orlando Morando afirma que houve uma 'queda significativa da arrecadação', com uma perda de 25% de receita líquida corrente

Da CNN, em São Paulo
17 de abril de 2020 às 09:24

O prefeito de São Bernardo do Campo, cidade do ABC paulista, Orlando Morando (PSDB), disse à CNN nesta sexta-feira (17) que tem conseguido honrar os compromissos financeiros, mas não sabe até quando conseguirá manter o município em funcionamento se não receber auxílio do governo federal ou estadual para lidar com a pandemia do novo coronavírus. Morando, de 45 anos, contraiu COVID-19 em março e chegou a passar sete dias na UTI (unidade de terapia intensiva) para tratar a doença. "Foi o momento mais difícil da minha vida", contou ele.

“Quando a cidade entrou em quarentena, comecei a providenciar a suspensão de contratos que não seriam utilizados”, como na área da educação, em limpeza de escolas. Com a suspensão das aulas, o prefeito disse que os contratos foram revisados, assim como os de agentes de trânsito. 

“Isso nos permitiu honrar todos os compromissos financeiros, de folhas de pagamento a fornecedores”, afirmou ele, acrescentando que todos os funcionários comissionados tiveram o salário reduzido em 10%, o que representa, segundo o prefeito, uma economia de R$ 800 mil. "Meu salário é doado 100%."

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Ainda assim, Morando disse que houve uma “queda significativa da arrecadação”, com uma perda de 25% de receita líquida corrente no último mês. Com isso, declarou que “será extremamente necessário uma ajuda externa, principalmente do governo federal”.

Morando afirmou que, até o momento, todos os recursos utilizados para manter hospitais e comprar equipamentos foram apenas da prefeitura, sem repasses federais ou do governo do estado. 

“Em abril, estou conseguindo honrar meus compromissos financeiros. Por quanto tempo a Prefeitura de São Bernardo irá conseguir fazer isso... Sem o retorno da atividade econômica - que não defendo, temos que manter a quarentena -, vamos precisar consequentemente de apoio externo financeiro para manter a cidade funcionando”, disse.

Risco de colapso

Para combater a pandemia do novo coronavírus, o prefeito afirmou que elevou de 40 para 52 o número de UTIs na cidade, além de 70 unidades de enfermaria. "Ainda não estamos com estrangulamento. Temos 80% de ocupação."

Morando declarou, entretanto, que "a margem está muito apertada". Segundo ele, dos 52 leitos de UTI, mais de 30 estão permanentemente ocupados. Com isso, ele disse que a preocupação da prefeitura é manter as pessoas em isolamento, pois se o número de hospitalizados aumentar, "podemos ter um colapso e não ter UTI para os pacientes com coronavírus".

Ele anunciou que, no dia 1.º de maio, será inaugurado um hospital com 100 leitos para atender somente indivíduos infectados, sendo 20 leitos de UTI e 80 de unidades de enfermaria. Além disso, outro hospital deve ser inaugurado no dia 15, caso a prefeitura consiga comprar respiradores, com 250 leitos - 80 de UTI e 170 de enfermaria -, informou Morando.

Segundo o balanço mais recente da Secretaria de Saúde do estado de São Paulo, São Bernardo tem 255 casos confirmados de COVID-19 e 16 mortes.