O Grande Debate: SP começa a retomar a economia em 11 de maio

Augusto de Arruda Botelho e Caio Coppolla discutem o Plano São Paulo, anunciado pelo governador do estado, João Doria (PSDB), nesta quarta-feira (22)

Da CNN, em São Paulo
22 de abril de 2020 às 22:30 | Atualizado 23 de abril de 2020 às 00:24

No Grande Debate da noite desta quarta-feira (22), Caio Coppolla e Augusto de Arruda Botelho discutiram o plano de reabertura da economia apresentado pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), nesta quarta-feira (22).

Augusto elogiou o plano, dizendo que algumas das palavras que mais escutou na coletiva do tucano foram ciência, testagem rápida e curva epidemiológica, que, segundo ele, mostram o uso de dados para a medida. “O plano São Paulo foi tomado baseado em dados e ciência e experiência. É um plano real, concreto, e prevê cronologia de abertura”, disse. "Alguns pontos me preocupam, como a divulgação do plano de flexibilização antes de ser implementado, gerando na população sensação de pseudoliberdade. Hoje foi o maior índice de congestionamento desde que o isolamento começou, e ainda não podemos ainda nos sentir confortáveis para sair de casa”, disse.

Para Caio, a coletiva foi nova mostra de que as medidas têm caráter político, e que a data de extensão da quarentena foi arbitrária. Trouxe também um estudo que relaciona o nível de desemprego com taxa de mortalidade, e disse que São Paulo está em situação confortável de leitos de UTI para pensar em reabertura. “Um estudo científico publicado na revista científica 'The Lancet' mostra que, a cada 1% de desemprego, aumenta em 0,5% a taxa de mortalidade. Então é uma afronta a ciência dizer que paralisar a economia salva vidas. Na pandemia, a variável mais determinante é a existência de leitos de UTI. Hoje foi anunciado que a taxa de ocupação dos leitos de UTI no estado é de 53%. São Paulo está trabalhando em padrões razoáveis”, afirmou.

Augusto rebateu: “A data fixada para terminar o isolamento não é arbitrária, sua decisão foi explicada na coletiva, baseado em dados e estatística”, disse. Ele comparou o isolamento no estado com o de outros países da Europa, e disse que os métodos usados no Brasil foram mais brandos. “Em comparação com outros países, o isolamento em São Paulo foi muito mais leve, não é compulsório como em outros lugares. Além do mais, a coletiva trouxe o dado de que 74% da economia do estado está aberta, e nós estamos em isolamento há apenas 29 dias. Sobre a disponibilidade de leitos de UTI, é importante levar em conta que o número de 15 mil divulgados pelo estado leva em conta sistema público e privado, este último pouco acessível para o grande público. Levando em conta só leitos públicos, temos apenas 5 mil”, disse.

Caio disse que existe acordo entre grandes hospitais e o governo para o compartilhamento de leitos de centros médicos privados. "Então, em situação emergencial, pessoas que precisam ser atendidas em unidades públicas serão transferidas para instituições privadas”, disse. Ele também questionou a porcentagem de atividade econômica ativa do estado de São Paulo. “Temos que tomar cuidado com números que desumanizam a questão. Há um total de 26% da força de trabalho do estado que está empobrecendo em casa. Não é que cada cidadão teve uma queda de 26% uniformemente, tem gente arcando com 100% do ônus. A paralisação causa queda de renda e consumo, provocando uma espiral na economia”, acrescentou.

Augusto trouxe ao debate um artigo defendido por Caio elaborado por médicos e economistas que tenta estimar os impactos da pandemia no Brasil. “Estudo afirma que, se o estado de São Paulo mantiver o isolamento como está hoje, terá entre 6 mil e 16 mil mortes. Se do jeito que está nosso isolamento, com quase metade da população furando ele, temos esse número de mortes, o que vai acontecer se afrouxarmos ele?”, disse.

Para Caio, o estudo diz que o grande fator é a disponibilidade de UTIs, situação que segundo ele está sob controle em São Paulo, e que o desrespeito à quarentena demonstra que há a possibilidade de reabrir a economia. “O estudo fala da real efetividade do isolamento. Na prática, o que temos é uma flexibilização. As pessoas estão interagindo e saindo na rua, mas não trabalhando, trazendo ônus epidemiológico e prejuízo econômico. Por mim, a abertura poderia ser de imediato, há diversos municípios que não têm casos confirmados”, disse.

Augusto demonstrou preocupação com a celeridade de reabrir a economia sem dados embasados, o que, de acordo com ele, pode levar a uma segunda onda da doença e mais impactos econômicos. “Se abrirmos muito cedo e tivermos que fechar de novo, isso acaba gerando um problema ainda maior. O economista Fabio Klein disse que um abre e fecha da economia a fará crescer em W e não em V, o que é muito pior uma vez que esse vai e volta pode ser muito mais danoso”, disse.

Caio disse apoiar a reabertura por conta da disponibilidade de leitos, e que a situação no estado de São Paulo está controlada. “O que vemos agora é uma situação sob controle, os números são erráticos, mas vemos queda de mortes. O denominador comum é que havendo disponibilidade de leitos de UTI, a pandemia é controlável”, afirmou.

Argumentos finais

Em sua fala final, Caio disse ser um otimista, e que, por conta de todos os dados que apresentou, já é possível falar de reabertura. “Já discutimos muito o caráter político, mas, agora sim, a flexibilização do isolamento é uma possibilidade em alguns municípios e em alguns setores”, disse.

Augusto seguiu a linha da cautela, e afirmou que o estado de São Paulo só está oficialmente em quarentena há 29 dias. “Mesmo com subnotificação e o número de casos e mortes São Paulo parece estar fazendo a coisa certa, com leitos de UTI disponíveis, uma situação controlada. Se está dando certo, por que adiantar a coisa agora?”, questionou.