UTIs de Belém já estão saturadas, afirma governador do Pará, Helder Barbalho

Em entrevista para a CNN, Barbalho diz que falta de unidades de pronto-atendimento e pronto-socorro agravam a situação no estado

Da CNN, em São Paulo
22 de abril de 2020 às 21:01 | Atualizado 22 de abril de 2020 às 21:09


O Pará já tem 1.195 casos de coronavírus confirmados e 43 mortes pela doença. Mais do que isso, o sistema de saúde local está perto de atingir o limite, com 90% dos leitos ocupados. O governador paraense, Helder Barbalho (MDB), já admite que a capital Belém pode ser tornar “a nova Manaus”, em alusão à situação crítica da capital do Amazonas. Em entrevista para a CNN, Barbalho, que está positivo para o coronavírus, deu detalhes da situação de seu estado.

“O quadro em Belém é preocupante por conta da pressão do sistema de entrada de saúde, como pronto-socorro e pronto-atendimento, que estão à beira do colapso na capital. O problema é que a ausência de atenção básica fragiliza a possibilidade de receber tratamento precoce para evitar a piora da situação dos pacientes”, disse Barbalho, que afirmou que a situação pressionou as unidades de tratamento intensivo da região metropolitana de Belém, “que já está saturada”, completou.

Para tentar desafogar o sistema de saúde de Belém, Barbalho falou que quatro hospitais de campanha serão montados, além de ter capacitado outros 11 hospitais no interior. Ele explicou que a falta de atendimento primário obrigou a mudar os planos do Hospital Geral de Belém. 

“O Hospital Geral de Belém estava planejado para ser a retaguarda no combate à doença, mas com a falta de atendimento de pronto-socorro e pronto-atendimento, muitos pacientes chegavam na unidade já em estado grave, o que motivou a mudança do perfil do hospital, que agora se foca em receber pacientes de UTI”.

Isolamento e economia

Com diversos estados brasileiros anunciando planos de reabertura econômica, Barbalho foi questionado sobre quais os planos do Pará para a retomada, e disse ainda não ter prazo para falar sobre o tema.

“Temos permitido o comércio de rua, mas restringindo locais fechados, como shoppings. Também adotamos o fracionamento de horário para evitar aglomerações em transportes públicos. As medidas têm permitido que tenhamos nível de isolamento de 60%, e nós vamos continuar com a quarentena baseado na ciência e na medicina. No momento que estivermos com condição adequada, iremos reabrir a economia”.

Sobre preocupações econômicas, Barbalho disse que o estado liberou uma linha de crédito de R$ 200 milhões para micro e pequenos empreendedores, mas entende que o Governo Federal deve enxergar para a situação como uma guerra, que este é momento para que o “Ministério da Economia utilize suas reservas para garantir a renda para a população e força para estados e municípios enfrentar o momento”.