Perícia em casa onde miliciano morreu será em maio

Adriano Magalhães da Nóbrega foi morto em fevereiro na cidade de Esplanada, na Bahia

Daniel Mota da CNN em São Paulo
29 de abril de 2020 às 19:25 | Atualizado 29 de abril de 2020 às 21:52
Imagem de Adriano Magalhães da Nóbrega
Foto: Reprodução

A nova perícia na casa onde o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega foi morto, na cidade de Esplanada, na Bahia, acontecerá no próximo mês. A decisão foi deferida pelo juiz Augusto Yuzo Jouti. O magistrado acatou o pedido que foi feito pelo dos advogados da família de Adriano, mas em sua decisão destaca que perícias oficiais já foram feitas no local.  A intenção dos advogados é buscar possíveis informações que possam ter sido deixadas no local.

Segundo o advogado Paulo Emilio Catta Preta, a perícia vai ser feita por um profissional indicado pela família e acontecerá no início do próximo mês. O inquérito que apura as circunstâncias da morte do miliciano foi prorrogado porque a polícia e o Ministério Público ainda não concluíram as investigações.

No pedido ao juiz, a família do ex-policial do Rio de Janeiro também havia solicitado o isolamento da residência, localizada em uma fazenda no interior de Esplanada, distante 170 quilômetros de Salvador. Mas, conforme o magistrado, o imóvel é de propriedade particular e por conta disso, não pode ser isolada.

“Além disso, cuida-se de imóvel particular, não vislumbrando-se motivo para torná-lo indisponível. Desse modo, a perícia deverá ser realizada no estado em que o imóvel se encontrar”, diz um trecho da decisão judicial.

No documento publicado no Diário de Justiça Eletrônico, o juiz Augusto Yuzo diz que o proprietário da casa deverá ser chamado para abrir as portas do local.

“Já houve perícias oficiais. Posto isso, defiro a realização da perícia técnica no local do fato. A coleta de dados e medições deverão ser realizadas em única vista in loco, acompanhada por Oficial de Justiça”, destaca a sentença.

O advogado Paulo Emilio Catta Preta acredita que ainda seja possível encontrar informações no local que possa corroborar com as teses da defesa.

“A cena do crime nunca foi preservada. Teria que se fazer uma nova avaliação e por isso um assistente técnico indicado vai fazer a perícia, por isso também foi pedida a prorrogação do prazo para conclusão do inquérito policial”, comentou o advogado.

A fazenda Palmeiras, onde o miliciano Adriano foi morto, pertence a Gilson batista Lima Neto, vereador do PSL, conhecido como Gilsinho da Dedé.

Adriano da Nobrega era apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como chefe do 'Escritório do Crime', uma milícia formada por assassinos de aluguel que atua na zona oeste da cidade.

MP analisa laudos

Laudo sobre a morte de Adriano Magalhães da Nóbrega
Foto: Divulgação

A última necropsia feita no cadáver do miliciano a pedido do Ministério Público da Bahia e divulgada na última semana não descarta que lesões encontradas no corpo possam ter sido provocadas por tortura, como questiona a defesa.

“Na perícia foram encontradas lesões no corpo do Adriano, como um corte na cabeça e que foi feito ainda com vida. O laudo é inconclusivo em diversos aspectos e por isso ainda se aguarda o resultado de outros exames”, disse o advogado.

A CNN procurou o promotor responsável Dário José Kist, mas o orgão informou que ainda não há uma conclusão da investigação conduzida por eles sobre a morte do Adriano.

“Os laudos do IML do Rio de Janeiro e do Departamento de Polícia Técnica da Bahia foram recebidos e estão sendo avaliados”, diz a nota do MPBA.

Após a análise dos laudos periciais, o MP vai ouvir testemunhas.  “Uma próxima etapa, de oitiva de testemunhas, ainda será realizada para produção de prova oral e posterior conclusão dos fatos”, destacou a nota do MP à CNN.

A perícia também mostra que os disparos contra Adriano foram feitos a uma distância de um metro e que os projeteis saíram de um fuzil 7.62 e de uma carabina de calibre 556.

A secretaria de Segurança Pública da Bahia informou que o resultado do laudo feito no Rio de Janeiro é igual a conclusão da primeira perícia feita pela Polícia Técnica do Estado e diz que a causa da morte foi pelos tiros que o miliciano teria levado ao se confrontar com os policiais.