Prefeitura de Rondonópolis paga R$ 4 milhões em respiradores falsos

Médicos de pronto-socorro constataram que equipamentos eram monitores cardíacos adulterados com uma película plástica

Bruna Gavioli Da CNN, em São Paulo
29 de abril de 2020 às 19:11 | Atualizado 29 de abril de 2020 às 19:18
Monitores cardíacos entregues para a prefeitura de Rondonópolis como respiradores
Foto: Ascom/Prefeitura de Rondonópolis
 
A Prefeitura de Rondonópolis (MT) investiu R$ 4,136 milhões na compra de 22 respiradores mecânicos para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da cidade enfrentar a pandemia de COVID-19. No entanto, quando os respiradores foram entregues ao pronto-socorro, os médicos constataram que tratava-se de uma fraude: os equipamentos eram falsificados. 

A retirada dos aparelhos ficou marcada para o dia 17 deste mês em Goiânia, a cerca de 700 quilômetros de distância de Rondonópolis. Uma equipe da prefeitura foi buscar os aparelhos e não desconfiaram de nada. De acordo com a Prefeitura de Rondonópolis, “um representante da empresa entrou em contato com a UPA solicitando para que não abrissem as caixas dos aparelhos até o dia 4 de maio, ocasião em que um autorizado viria até a cidade para a instalação dos equipamentos”.

O pagamento foi efetuado pela Prefeitura de Rondonópolis, porém, quando os equipamentos chegaram na quarta-feira (22) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) foi constatado se tratar de uma falsificação. Tratava-se de monitores cardíacos adulterados com uma película plástica.

A Prefeitura de Rondonópolis fez um boletim de ocorrência e também entrou com um pedido de tutela de urgência na Justiça para bloquear os valores pagos a empresa. O pedido foi aceito e cerca de 70% do valor foi bloqueado pela Justiça na conta da empresa Life Med Comércio de Produtos Hospitalares e Medicamentos.

Em entrevista, o procurador-geral do município, Anderson Flávio de Godoi explicou que a compra foi feita por meio de processo de dispensa de licitação autorizada pela legislação em razão da pandemia. Nestes casos, como é contrato de execução imediata, ou seja, a mercadoria é entregue e o pagamento efetuado. Somente analisamos os documentos da empresa”, explicou.

Godoi disse ainda que o contato da empresa foi passado por uma companhia que já é fornecedora de insumos para a prefeitura e descartou a suspeita de envolvimento de servidores municipais. Procurada pela reportagem da CNN, a Life Med afirmou que não irá dar detalhes sobre o caso no momento e informou que está  tomando as medidas necessárias para a solução do caso.