O Grande Debate: Depoimento de Valeixo enfraquece acusação de Moro a Bolsonaro?

Gisele Soares e Thiago Anastácio também falaram sobre o decreto de Bolsonaro que incluiu academias, salões de beleza e barbearia como serviços essenciais

Da CNN, em São Paulo
12 de maio de 2020 às 11:00 | Atualizado 12 de maio de 2020 às 11:08

O Grande Debate da manhã desta terça-feira (12) abordou os depoimentos de Maurício Valeixo, ex-diretor-geral da Polícia Federal (PF), Ricardo Saadi, ex-superintendente da PF no Rio de Janeiro, e o diretor-geral da Abin, Alexandre Ramagem prestados na segunda-feira (11).

Mediador da edição matinal do debate, Reinaldo Gottino mostrou um trecho do depoimento, obtido pela CNN, no qual o ex-diretor-geral da PF cita que interferência política "não ocorreu em nenhum momento sob o ponto de vista do depoente".

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Diante disso, Gottino perguntou aos advogados Thiago Anastácio e Gisele Soares se "essa afirmação de Valeixo enfraquece a acusação feita pelo ex-ministro Sergio Moro?".

Para Gisele Soares, não há dúvida disso, e o depoimento mostra que Bolsonaro não pressionou Moro. "Sem dúvida nenhuma, é uma afirmação que refuta a interpretação de Moro de que haveria nos pedidos do presidente uma condução política das investigações", considerou ela.

"O depoimento só reforça que não houve, por parte de Bolsonaro, essa investida contra Moro, no sentido de pedir interferência ou de influenciar negativamente a PF".

Thiago Anastácio discordou e fez questionamentos em resposta. "Não que não enfraqueça. É que não podemos dizer isso ainda. Precisamos entender a posição dessas figuras como testemunhas", avaliou ele.

"Moro passava tudo para Valeixo? Ou ele consegue apresentar apenas aquilo que captou da sua situação? Moro sofreu do presidente essa pressão? Isso precisa ser analisado com encaixamento de peças para formar o todo", defendeu. 

Serviços essenciais

Gisele Soares e Thiago Anastácio também falaram sobre o decreto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que incluiu academias, salões de beleza e barbearia na lista de serviços essenciais. "Eu coloquei hoje, porque saúde é vida", explicou o presidente à imprensa, na segunda-feira (11). A medida foi criticada por parte dos governadores, que afirmaram que manterão esses comércios fechados.

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Para Thiago Anastácio, esses "não são serviços essenciais". "É só analisar a razão de existir desses empreendimentos. Não podemos confundir academia com a saúde das pessoas ou a estética higiênica com o embelezamento. Me causa desconforto analisarmos algo assim, porque estamos falando de perfumaria", classificou ele.

"Óbvio que, quando se faz a crítica de uma abertura como essa, não está se criticando os valorosos profissionais da área, que são fundamentais num cotidiano de normalidade", completou.

Gisele Soares discordou do colega e classificou que esses tratam-se de "serviços essenciais na medida em que estão ligados à saúde". "Não são exclusivamente estéticos", defendeu ela.

"Na sua competência concorrente a de estados e municípios, que é reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que o presidente fez foi alargar essa lista que já contava por 57 serviços essenciais, para que eles analisem e possam, dentro de suas realidades locais, organizar eventualmente sua flexibilização", avaliou ela.