Enfermeiros dormem no chão de hospital de campanha do Maracanã


Leandro Resende e Fernando Molica  Da CNN, no Rio de Janeiro
14 de maio de 2020 às 17:25 | Atualizado 14 de maio de 2020 às 20:37

No centro das investigações que levaram a etapa desta quinta-feira (14) da Operação Lava Jato no Rio, os hospitais de campanha não só estão atrasados, como colocaram enfermeiros e técnicos de enfermagem em condições desumanas de trabalho. Profissionais que atuam no Hospital de Campanha do Maracanã relataram à CNN que foram orientados a dormir em mesas, em colchonetes jogados no chão e em locais com aglomeração de pessoas. 

De acordo com a denúncia, há um dormitório dentro do hospital de campanha, mas a segurança que atua no espaço impediu, na noite de ontem, o acesso de outros profissionais que não os médicos que estão na unidade. Os enfermeiros que atuam no local alegam que foram levados para o descanso em uma área que é fora do hospital de campanha e fica em um corredor do ginásio do Maracanãzinho. 

O espaço fica no Complexo do Maracanã e fica a dez minutos de distância do local em que está o hospital de campanha. Nesta quinta-feira, mais uma etapa da Operação Lava Jato foi deflagrada no Rio. As investigações apuram aparticipação de uma organização criminosa que teria fraudado a contratação de hospitais de campanha no Rio de Janeiro.

Enfermeiro dorme no chão em hospital de campanha

Profissional de saúde dorme no chão em hospital de campanha do Maracanã, no Rio de Janeiro

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Segundo o Ministério Público Federal, a situação de calamidade provococada pelo coronavírus foi entendida como uma oportunidade para a realização de contratos sem licitaçao e feitos em caratér emergencial entre empresas e o poder público. Cinco pessoas foram presas, entre elas o megaempresário Mário Peixoto e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Paulo Melo.

O MPF ainda apura qual a relação entre Peixoto e a organização social Iabas, escolhida para gerir os hospitais de campanha no Rio de Janeiro. Segundo as investigações, operadores de Peixoto tinham acesso a documentos e trocaram informações sobre compras para os hospitais de campanha.

A organização social Iabas foi a escolhida para gerir sete unidades. Até agora apenas a unidade do Maracanã foi parcialmente inaugurada. A Secretaria Estadual de Saúde havia anunciado que as unidades seriam inauguradas até o dia 30 de abril. Apenas ontem o secretário de Saúde Edmar Santos encaminhou um ofício urgente para que a Iabas diga quando as outras unidades de saúde serão inauguradas. 

Sobre a situação dos enfermeiros no hospital de campanha do Maracanã, a Secretaria de Saúde classificou o fato como "inadmissível" e que irá "notificar" a Iabas. Já a empresa informou à CNN que a cena que aparece nas imagens "não se repetirá", que se trata de "um problema pontual já contornado", ocorrido durante um treinamento nas obras do novo pavilhão do hospital de campanha, que ainda será inaugurado. Sobre as investigações do MPF e da PF, a organização social informou que não é alvo da operação de hoje, mas que está à disposição para esclarecimentos.

A defesa de Mário Peixoto disse que sua prisão era desnecessária e pediu à Justiça que ele fique detido em casa.

“A prisão decretada em desfavor de Mário Peixoto e seu filho surpreende pela total ausência de necessidade efetiva de tal medida, em um momento grave de pandemia. Fatos que seriam passíveis, no máximo, de investigação policial, serviram de base para uma custódia provisória, não advinda de uma condenação criminal, eis que sequer existe denúncia formal apresentada pelo Ministério Público”, disse o advogado Alexandre Lopes.