Em menos de dois meses, 74 médicos morreram de Covid-19 no Brasil, diz Simesp

Enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem já chegam a 97 mortes

Daniel Motta da CNN em São Paulo
15 de maio de 2020 às 17:34
Médicos fazem treinamento no hospital de campanha para tratamento de Covid-19 do Complexo Esportivo do Ibirapuera, em São Paulo (29.abr.2020)
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Setenta e quatro médicos morreram no Brasil de Covid-19 desde o início da pandemia do novo coronavírus. As mortes aconteceram em menos de dois meses e o primeiro caso foi registrado no dia 22 de março na cidade do Rio de Janeiro. O levantamento é do Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo com dados de sindicatos médicos dos outros estados do país com dados de até está quinta-feira (14). Enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem já chegam a 97 mortes, segundo o (Cofen), Conselho Nacional de Enfermagem.

De acordo com o levantamento do Simesp, dos 74 médicos que morreram no país em decorrência da Covid-19, 25 deles eram do estado de São Paulo, quase 34% do total de mortes. Catorze médicos eram do Rio de Janeiro e 6 do Amazonas. Também tiveram mortes de médicos nos estados do Ceará, Paraná, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio Grande do Norte Santa Catariana, Pernambuco e Maranhão e Amapá.

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Somente nesta quinta-feira (14), três médicos faleceram por conta da Covid-19. O clínico geral Carlos Fernando Serizawa, da cidade Mauá, na grande São Paulo, Marcos Paiva, também clínico geral em João Pessoa, na Paraíba e o pediatra Raimundo Malcher Pinon de Macapá, no estado do Amapá. Os nomes dos médicos constam em um memorial elaborado pelo Simesp.

“O memorial é a prova de que vidas estão sendo perdidas na linha de frente. Eu espero que a sociedade reconheça o esforço que os profissionais de saúde estão fazendo e reconheça os risco que eles estão se expondo em nome da saúde, e nome da vida e eu espero que as autoridades proporcionem condições de trabalho cada vez melhores para minimizar esse tipo de problema”, disse o presidente do Simesp,  Eder Gatti.

Um dos primeiros médicos que morreram no país por conta do novo coronavírus foi o hematologista Paulo Palazzo, de 56 anos. Ele trabalhava no Samu e morreu em 5 de abril. O médico Tadeu de Almeida Caselli, que trabalhou com o hematologista, diz que ele era um profissional atencioso e dedicado a profissão.

“Ele era uma pessoa fora do sério. Sempre muito solicito, nunca reclamava de nada, sempre atendia os chamados. Era uma pessoa além que, além de um grande conhecimento técnico, que dava gosto de trabalhar com ele”, lembra.

Enfermagem

Noventa e sete profissionais da enfermagem morreram de Covid-19 até está sexta-feira (15), segundo o último relatório do Cofen. Além disso, 4.420 profissionais testaram positivo para a doença.

"O número de casos é alarmante e continua a crescer. A falta de equipamentos de proteção individuais (EPIs) coloca em risco aqueles que, enfrentando seus próprios medos, estão na linha de frente cuidando da população", disse o presidente do Cofen, Manoel Neri.

O Conselho também alega que o crescimento no número de contaminados e mortos seria porque os estabelecimentos de saúde não estão afastando os profissionais dos grupos de risco.

"A alta letalidade entre os profissionais de Enfermagem está associada também ao não-afastamento daqueles que integram grupos de risco, contrariando diretrizes do próprio MS, diz Neri.