Operação policial no Complexo do Alemão termina com ao menos 10 mortes

Segundo a PM, ação buscava apurar denúncia sobre paradeiro de traficante e terminou com a apreensão de oito fuzis

Da CNN, em São Paulo*
15 de maio de 2020 às 23:21
Moradores carregam corpos de mortos após operação policial no Complexo do Alemão, no Rio
Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Uma operação das polícias civil e militar do Rio de Janeiro em favelas do Complexo do Alemão, na zona norte da capital fluminense, terminou com a morte de ao menos 10 pessoas. Segundo o Observatório da Segurança RJ, foram doze mortos. Um policial militar foi atingido por estilhaços e se feriu, mas sem gravidade.

A operação começou por volta das 7h desta sexta-feira (15). “A ação teve por objetivo checar denúncias sobre o paradeiro de um criminoso apontado como liderança do tráfico de drogas local e verificar informações sobre a localização de uma casa usada como esconderijo de fuzis na comunidade”, informou a PM.

Segundo a PMERJ, oito fuzis foram encontrados na comunidade, além de 85 granadas e uma quantidade não divulgada de entorpecentes. Cinco criminosos foram encontrados feridos e levados a um hospital estadual na Penha, de acordo com a polícia, mas morreram durante o atendimento. Outros cinco corpos foram localizados na comunidade ao longo do dia.

Leia também:

Segundo colocado nas pesquisas, Freixo desiste de concorrer à Prefeitura do Rio

Lava Jato do RJ aponta indício de fraude em compra de álcool em gel pela Marinha

Um dos mortos era um criminoso foragido do sistema prisional desde 2016 e considerado líder do tráfico nas comunidades Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, na zona sul. Moradores disseram que algumas das vítimas não foram socorridas e precisaram ser carregadas em panos e na caçamba de carros.

Em nota, o Observatório da Segurança RJ, que monitora as ações de segurança pública desde a intervenção federal em 2018, criticou o ocorrido. "Em meio a uma pandemia, quando o estado deveria estar concentrado em salvar vidas, as políticas de segurança não podem ser responsáveis por gerar mais mortes", diz a nota.

*Com Estadão Conteúdo e Reuters