80% dos moradores da periferia estão a menos de 1 km de uma unidade de saúde

No Amapá, uma cidade está a 118 km de uma unidade de saúde

Luana Massuella, Cecília do Lago e Felipe Boldrini da CNN, em São Paulo
19 de maio de 2020 às 12:30 | Atualizado 19 de maio de 2020 às 12:36
Vista aérea de região da periferia em São Paulo
Foto: Amanda Perobelli - 02.abr.2020/Reuters

Um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que 79,53% das comunidades brasileiras estão, em média, localizadas a menos de um quilômetro de distância de unidades de saúde. Isso facilita quando alguém precisa de atendimento, principalmente agora, na pandemia. Mas essa não é a realidade de todo mundo. Tem cidade brasileira que fica a mais de 100 quilômetros de distância de hospitais ou postos de saúde.

De acordo o estudo “Aglomerados Subnormais 2019”, no Brasil são mais de 13.151 mil aglomerados subnormais em 734 municípios diferentes. Em termos mais populares, os aglomerados subnormais são conhecidos como favelas ou comunidades, áreas de ocupação irregular nas áreas urbanas, com carência de serviços públicos essenciais e localizados em áreas com restrição a ocupação. 

“O que a gente conclui é que dos aglomerados subnormais, 80% deles está a menos de 1 km de unidades de saúde, ou seja, onde tem aglomerados subnormais, tem uma unidade de saúde. Só não investigamos se a estrutura é suficiente para atender a população desses aglomerados subnormais”. disse Claudio Stenner, coordenador de Geografia e Meio Ambiente do IBGE. 

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Mas algumas regiões do Brasil são quilômetros e mais quilômetros pra chegar até uma unidade de saúde mais próxima. Segundo a pesquisa, os locais mais distantes são: Bailique (um distrito de Macapá), que fica a 118 km de distância, Sucuriju (um distrito de Amapá) a 108 km, Caixa D’Água, em Porto Velho, está a 75 km, a região do Ouro Verde também em Porto Velho - Rondônia está a 74 km e o bairro Portelinha no município de Cutias no Amapá está a 45km.

O estudo também mostra que três estados da Região Norte – Amazonas (34,59%), Amapá (21,58%) e Pará (19,68%) estão entre os cinco estados com mais domicílios ocupados em aglomerados subnormais - esses estados sinalizam uma maior vulnerabilidade social com possíveis consequências para os serviços de saúde e assistência social no caso do alastramento da COVID-19. 

Mas em números absolutos quem lidera são as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. “ O município que apresenta o maior número absoluto de aglomerados subnormais é São Paulo, com 529 mil domicílios em comunidades e o segundo maior é o Rio de Janeiro com 453 mil domicílios”, disse o coordenador.