O Grande Debate: o que fazer para a saúde de São Paulo não colapsar?

Augusto de Arruda Botelho e Caio Coppolla discutiram a frase do secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, de que o sistema pode colapsar em 15 dias

Da CNN, em São Paulo
18 de maio de 2020 às 22:41

No Grande Debate da noite desta segunda-feira (18), Caio Coppolla e Augusto de Arruda Botelho debateram a fala do secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, de que com os atuais níveis de isolamento social, os sistemas públicos e privados da capital paulista poderão estar “profundamente comprometidos” em 15 dias.

Para Augusto, o governador paulista, João Doria (PSDB), e o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, estão a todo custo tentando evitar decretar o lockdown (confinamento) se utilizando de “medidas alternativas”, o que em sua visão é preocupante, uma vez que são decisões que acabam que são revogadas, tirando a credibilidade de ações futuras dos governantes. “É preciso ter coragem para tomar medidas impopulares, mas que salvarão vidas e irão possibilitar a volta mais rápida da economia”.

"Pelas previsões de Edson Aparecido, caso o isolamento fique como está, toda a rede hospitalar ficará prejudicada, contabilizando leitos públicos e privados”, iniciou Caio em sua argumentação, que questionou os números apresentados pelo secretário municipal de Saúde. 

“Segundo o Conselho Federal de Medicina, o SUS de São Paulo conta com 1.906 leitos de UTI. No setor privado há mais de 3 mil leitos. Se somados os dois números, temos 40 leitos de UTI por milhão de habitantes, uma média maior do que a de países desenvolvidos. A história de colapso é narrativa falaciosa para preparar a população para o lockdown”.

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Augusto então relembrou os números oficiais divulgados pela prefeitura, de que há na cidade 1.284 leitos de UTI no sistema privado, e que apenas 135 estão vagos, uma ocupação de 90%. Ele também criticou a postura do governo federal de “lavar as mãos” em relação a medidas para combater a pandemia.

"Eles não implementam medidas sob a falsa alegação de que o STF lhe tirou poder decisório, sendo que a competência é concorrente. Se governos estaduais e municipais estão implementando medidas para evitar que o sistema de saúde entre em colapso, o governo federal não faz absolutamente nada”.

Caio questionou os números sobre a lotação das UTIs no sistema privado, dizendo que verificou com fontes que “alguns hospitais parceiros do estado para a disponibilização de leitos não têm 30% de ocupação”. Ele ainda criticou o que classificou de mau uso do dinheiro público: os hospitais de campanha. 

“Sobre o mau uso do dinheiro público, cito a questão dos hospitais de campanha, cujo valor não fica abaixo de R$ 50 milhões, valor que poderia servir para acomodar cerca de 200 mil pessoas em leitos privados que já estão pronto”, disse Caio, que disse que em sua visão, o lockdown e o rodízio não são medidas científicas, e não políticas.

“Se o sistema de fato está prestes a colapsar e os índices de isolamento estão baixos, é chegada a hora do prefeito tomar medidas mais duras, nem que por um período curto de tempo”, disse Augusto, que voltou a defender o lockdown e citou o exemplo de três países que fazem fronteira com a China, e que com medidas de isolamento e monitoramento conseguiram controlar a pandemia mesmo estando do lado do primeiro epicentro da doença.

“O Vietnã tem quilômetros de fronteira com a China e não registrou nenhuma morte. Cingapura teve 22 mortes. Taiwan, com 23 milhões de habitantes, teve apenas sete óbitos pela Covid-19. O que eles fizeram? Todos eles adotaram medidas que são diariamente boicotadas pelo governo federal, que é o principal culpado pelo estágio da pandemia em que o Brasil se encontra.”