Prefeitos de cidades litorâneas de São Paulo concordam com restrições de vias

Os prefeitos Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), de Santos, e Felipe Augusto (PSBD), de São Sebastião falaram sobre o mega feriado durante Debate 360

Da CNN, em São Paulo
19 de maio de 2020 às 19:10

Se o governo do estado de São Paulo imaginou que o mega feriado antecipado seria uma solução para aumentar a taxa de isolamento na capital e em sua região metropolitana, para prefeitos de cidades do litoral paulista a medida significa a chegada de um enorme contingente de pessoas, que podem trazer consigo a Covid-19 e aumentar a taxa de contágio nestes locais. Para discutir o assunto, o Debate 360 da CNN convidou os prefeitos Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), de Santos, e Felipe Augusto (PSBD), de São Sebastião. Enquanto o primeiro anunciou que irá manter fechado o calçadão e as praias, o segundo disse que irá reabrir as praias e liberar o comércio de ambulantes por não ter capacidade de restringir a chegada de pessoas.

Felipe relembrou que seu município abriga mais de 100km de praias, e que durante o mega feriado a expectativa é de receber 100 mil turistas, o que em sua visão pode acabar com os esforços dos cidadãos, que estão em isolamento há 60 dias. “Estamos há 60 dias de isolamento total, liderando estatísticas em São Paulo. Em outros feriados notamos um aumento de em média 30% nos casos das cidades, isso tende a ser ainda maior neste mega feriado. Como não temos condições de bloquear as estradas, vou abrir as praias e liberar ambulantes, desde que sigam regras de sanitárias”.

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A situação de Santos, porém, difere da de São Sebastião. Por ter uma orla mais concentrada, a cidade disse que irá manter as restrições durante o mega feriado, porém o prefeito Paulo Barbosa lembrou que nos últimos 4 feriados que aconteceram após o decreto de isolamento, pediu em vão ajuda do governo estadual para fechar as rodovias. “Importante lembrar que temos uma taxa de ocupação de leitos de UTI de cerca de 80%. Estamos pleiteando o avanço de medidas restritivas para constranger e desestimular as pessoas de fazerem turismo.”

Para além do fechamento das praias, Felipe diz que a prefeitura vem fazendo esforços para ajudar trabalhadores que deixaram de arrecadar com a vinda de turistas para a cidade, e disse que a compra de cestas básicas pela cidade saltou de 1.300 para 25 mil durante a pandemia, e completou dizendo que a  liberação de ambulantes irá servir para ajudar aqueles que ficaram sem renda durante a crise. “Naturalmente o crescimento do número de infectados vai ser de 30%, o que estamos fazendo é dar a pessoas com dificuldades financeiras a possibilidade de ganhar um ‘dinheirinho’. O ideal seria o fechamento dos acessos a cidade, mas isso não cabe a mim.”

Na visão de Paulo, o governo do estado acertou ao criar o mega feriado, porém desconsiderou os impactos que a decisão irá causar nas cidades litorâneas, e lembrou que Santos é a cidade com o maior percentual de pessoas com mais de 60 anos no Brasil, o que aumenta ainda mais o cuidado que a cidade deve ter para tratar da Covid-19.

“Estamos vivendo crise sem precedentes e é preciso agir com equilíbrio e união, somando forças de todas as esferas de governo. Acabei de sair de uma reunião com o estado e estou esperando ações para as ações nas estradas, porém tudo que estiver a meu alcance para manter a saúde das pessoas, nós iremos fazer”, disse o prefeito de Santos.


Já Felipe Augusto disse que tentou falar com o governo do estado sobre o fechamento de estradas em outros feriados e teve seu pedido negado, e fez um alerta. “Em Juqueí [umas mais famosas praias do município de São Sebastião], há moradores protestando a favor do fechamento de estradas, e estão queimando pneus e bloqueando as vias para tentar fechar o acesso.”