O Grande Debate: feriado fora de época ajuda no combate ao coronavírus?

Augusto de Arruda Botelho e Caio Coppolla debatem a fala do prefeito Bruno Covas de que o feriadão é a última cartada para aumentar isolamento em São Paulo

Da CNN, em São Paulo
19 de maio de 2020 às 22:37 | Atualizado 19 de maio de 2020 às 23:37

No Grande Debate da noite desta terça-feira (19), Caio Coppolla e Augusto de Arruda Botelho debateram a fala do prefeito da cidade de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), de que o feriadão fora de época é uma das últimas cartadas para tentar aumentar o índice de isolamento na capital paulista.

"Errar é humano, insistir no erro também", iniciou Caio, que disse que nada justifica as medidas da prefeitura durante a pandemia. Ele classificou o feriado fora de época como “inacreditável”, já que prejudicaria a atividade econômica de setores como o de turismo em prol do isolamento.

Já para Augusto, São Paulo não errou, mas poderia ter feito mais. Ele citou estudos segundo os quais caso a cidade não tivesse adotado medidas de isolamento, teríamos mais de 30 mil mortes. Disse também que, mesmo com alta taxa de ocupação dos leitos de UTI no município, este número se mantém estável por conta de medidas como a construção de hospitais de campanha.

"A cidade adicionou mais de 500 leitos, com previsão de mais 600 para ficarem prontos. É preciso melhorar, mas o resultado está melhor do que a previsão", disse.

Caio então voltou suas atenções a fala do prefeito Bruno Covas de que a baixa taxa de isolamento pode provocar o lockdown (confinamento), e disse que a relação não é esta.

"Condicionar o lockdown ao isolamento é impreciso, pois ele não é um fim em si mesmo. O lockdown serve para evitar o contágio, que por sua vez serve para evitar internações. Mas se conseguimos abrigar os internados, é porque nosso sistema de saúde é capaz, o que nos dá condições para pensarmos em reabertura econômica."

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"Antes do carnaval, já se sabia que [a Covid-19] era uma doença sem cura e sem vacina, além do alto potencial de transmissibilidade. Na época, as autoridades paulistas diziam que no carnaval nós tínhamos a nosso favor o verão e que não havia motivo para cancelar o calendário oficial", disse Caio.

Augusto disse não ver lógica em dizer que as autoridades deveriam ter cancelado o carnaval por causa da pandemia.

"Sobre o carnaval: este ano, as festividades se iniciaram em 21 fevereiro. O primeiro caso de Covid-19 no Brasil aconteceu cinco dias depois do início do carnaval. Já o primeiro caso de transmissão comunitária foi em 12 de março", disse. "Já tínhamos informações, mas o quadro do momento justificava bloquear uma atividade econômica que trouxe ao Brasil R$ 8 bilhões em receitas só no turismo?"

Voltando à questão de lockdown, Caio reafirmou que "a partir do momento em que não há pessoas morrendo por falta de atendimento médico, acho viável liberar as pessoas a voltar as atividades econômicas”. Ele ainda questionou a taxa de ocupação de leitos de UTI na cidade de São Paulo ao dizer que a rede Prevent Senior tem uma hospital de campanha com 500 leitos que não estão sendo utilizados.

Augusto voltou suas atenções às tentativas do governo estadual e do município de São Paulo para aumentar o isolamento, e disse que as mesmas aglomerações causadas pelo bloqueio de vias e o rodízio estendido ocorrerão caso setores da economia voltem a funcionar.

"As pessoas vão voltar a trabalhar de transporte público e irão se aglomerar. É preciso pensar em uma solução para isso também", afirmou.

Em relação ao rodízio estendido, Caio disse ter pensado que a medida iria sim influenciar no isolamento, mas que as pessoas “confundem o meio com o fim”.