O Grande Debate: Vídeo de reunião ministerial deve ser divulgado na íntegra?

Gisele Soares e Thiago Anastácio abordaram os critérios para decisão do ministro Celso de Mello sobre o vídeo da reunião entre Bolsonaro e ministros

Da CNN, em São Paulo
22 de maio de 2020 às 10:55 | Atualizado 22 de maio de 2020 às 11:41

O Grande Debate da manhã desta sexta-feira (22) abordou o sigilo do vídeo da reunião de 22 de abril entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e os ministros. O encontro foi citado pelo ex-ministro Sergio Moro nas afirmações de tentativa de interferência política do presidente na Polícia Federal. 

O mediador da edição matinal do quadro, Reinaldo Gottino, questionou aos debatedores Gisele Soares e Thiago Anastácio se o vídeo deve ou não ser divulgado na íntegra: "Se acontecer, a divulgação deve ser parcial, como quer Bolsonaro, ou integral, como pretende Moro?". O tema também foi abordado no Debate Novo Dia desta sexta.

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O Grande Debate: os advogados Thiago Anastácio e Gisele Soares
Foto: CNN (22.mai.2020)

Thiago Anastácio afirmou que é "sempre favorável à parcimônia quando uma investigação está em curso" e se posicionou a favor da divulgação, mas que seja feita em outro momento. "Já que foi gravada, a reunião só não deve vir ao conhecimento geral da nação se assuntos estratégicos ou de soberania estiverem presentes, porém acho que não se deve [divulgar agora] para não instigar concurso de popularidade. O vídeo deve ser divulgado depois de finalizado o inquérito policial e o relatório final. Pode parecer contraditório, mas não é. A Justiça não é instrumento político", defendeu.

Gisele Soares considerou que a íntegra da gravação deve ser mantida sob sigilo até mesmo depois da conclusão do caso. "O inquérito policial é, em regra, sigiloso, justamente, para preservar as pessoas e as provas que são objeto de investigação. Esse é um momento muito incipiente dessa investigação, que deve ser mantida sigilosa. Se o ministro decidir por divulgar, que faça somente aquilo que é da investigação e não a integralidade, que irá expor as pessoas", avaliou.

Esta sexta marca a data estabelecida pelo próprio ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello para tomar uma decisão sobre o sigilo do vídeo. A expectativa é que a decisão seja tomada até 17h (horário de Brasília).

Na véspera da data definida pelo ministro, Bolsonaro pediu mais uma vez que a íntegra da gravação do evento não venha a público. A defesa do ex-ministro Moro defende a divulgação integral do conteúdo.