Nº de casos e mortes diárias de Covid só aumenta em SP desde início da pandemia

Levantamento mostra que média dos últimos sete dias está no seu auge no dia 87º dia desde o primeiro caso, com uma média de 2.929 novos casos diários

Luiz Fernando de Toledo Da CNN, em São Paulo
23 de maio de 2020 às 16:34 | Atualizado 23 de maio de 2020 às 17:38
Hospital de campanha para atendimento de pacientes de Covid-19 em Santo André (SP)
Foto: Amanda Perobelli - 6.mai.2020/Reuters


O número de novos casos diários de coronavírus no Estado de São Paulo só cresce. Levantamento feito pela CNN mostra que a média dos últimos sete dias está no seu auge no 87º dia desde o primeiro caso, com uma média diária de 2.929 novos casos.

Para se ter uma noção, este número é quase seis vezes maior que o crescimento diário de um mês atrás, quando se registrava uma média diária, considerando os últimos sete dias, de 529 casos. Os dados coletados vão até o dia 22 de maio.

O mesmo vale para o número de novas mortes diárias, se considerada a média dos últimos sete dias. O Estado de São Paulo está, neste momento, em 195 casos diários nesta média, mais do que já esteve em todo o período da pandemia. Há um mês eram 56 casos por dia.

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, não há como estimar, hoje, quando seria o pico no estado. "Não faz muito sentido comunicar um valor de pico ou data de pico com confiança. As comparações entre cenários (com ou sem isolamento) têm mais valor", diz a física Caroline Franco do Observatório Covid-19, que reúne pesquisadores da USP, Unesp, Unicamp, UFABC e outras instituições, inclusive do exterior.

O Estado de São Paulo, com mais casos, puxa a tendência de todo o país: entre os seis países com mais mortes no mundo, o Brasil é o único que ainda está acelerando diariamente no número de novas mortes e casos. 

Veja gráficos:

 

Nos Estados Unidos, por exemplo, a média diária de mortes, se considerados os últimos sete dias, cai há 15 dias. O pico, se considerada esta média, foi de 2.299 mortes diárias. No Reino Unido houve um pico com uma média de 1.034 mortes, se considerados os últimos sete dias, mas este número vem desacelerando há mais de um mês e está em 351.

Estudos indicam que isolamento no Estado podem poupar quase 10 mil vidas só nos próximos 15 dias e sugerem que quarentena deve continuar

O levantamento mais recente do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aponta que, se o isolamento social for mantido no Estado de São Paulo nos próximos 15 dias, há uma estimativa de que 9,6 mil vidas devem ser salvas. O estudo é feito com base na taxa de replicação do vírus, tentando descobrir se esse valor muda com o tempo. A ideia é identificar tendências na evolução da taxa de propagação do vírus e os efeitos que o isolamento social causa nesse número.

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Outro estudo, produzido pelo Observatório Covid-19, identifica três possíveis cenários para a cidade de São Paulo, considerando a totalidade de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG): se nunca tivesse havido medidas de isolamento social, por exemplo, o grupo estima que a cidade já poderia ter superado 4 milhões de casos ainda em abril. Em um segundo cenário, eles observam o que poderia acontecer se as medidas implementadas atualmente fossem descontinuadas em 31 de maio. Neste caso, o número de novos casos continuaria subindo, com mais de 2 milhões de infectados até julho. Segundo os pesquisadores, neste cenário "o esforço feito até então seria em grande parte perdido." Já no cenário de manutenção de medidas de isolamento, a curva se manteria e haveria um pico no final de maio, com desaceleração de novos casos a partir de julho. Neste caso, "o achatamento evidente implicaria em cerca de 10 vezes menos infectados e mortos", dizem os pesquisadores.