Campanha de restaurante já distribuiu mil máscaras para motoboys em São Paulo

Clientes podem adicionar a proteção ao pedido e arcam com 50% do custo das doações

Lara Mota e Diego Viñas, da CNN, em São Paulo
25 de maio de 2020 às 23:12

De portas fechadas, restou aos restaurantes o delivery. A entrega de refeições hoje representa 100% das vendas e movimenta não só quem trabalha lá dentro, mas também quem faz a conexão com o cliente. Pensando nisso, o dono de um restaurante em São Paulo criou uma forma de ajudar os entregadores. A ideia é simples: quando alguém faz um pedido pelo aplicativo, pode adicionar uma máscara que será doada para eles, com o custo de 1 real e 75 centavos.

"Se a gente pode contribuir ajudando eles a ficarem um pouco mais protegidos, é uma forma da gente fazer a nossa parte e a gente fica super satisfeito com isso", conta Ricardo Bottura, sócio do restaurante. Eles bancam metade do custo das máscaras de tecido, escolhidas para que possam ser lavadas e reaproveitadas pelos entregadores. A campanha começou há um mês e já foram doadas mil unidades.

De acordo com o sindicato do setor, São Paulo tem 250 mil motoboys trabalhando nas ruas da capital. E durante a quarentena, muita gente que perdeu o emprego ou que não tinha como continuar trabalhando decidiu fazer entregas para escapar da crise. É o caso de Marcelo Silva Santos. Ele trabalhava como técnico de fibra ótica e perdeu o emprego por causa da Covid-19. O gesto de solidariedade da cliente e do restaurante fez a diferença no dia dele.

"Achei muito bacana. Às vezes a gente tem só uma máscara e tem que trocar a cada duas horas. Só uma não dá, né?", afirma o entregador. A iniciativa foi aprovada também pela cliente do restaurante, que recebeu o pedido entregue por Marcelo. "Eu achei a iniciativa muito legal para proteger esse pessoal que está saindo de casa para a gente poder ficar em casa", disse Renata Scheliga, arquiteta. 

A campanha ganhou um nome: Todos protegidos. E não deve terminar já, conforme revelou o dono do restaurante, Ricardo Bottura: ''As pessoas vão ter que continuar se protegendo, pelo que a gente está ouvindo, então pretendemos deixar isso por bastante tempo e chegar a números bem mais expressivos de doação".