Prefeitos da Baixada Santista contestam classificação vermelha em plano estadual


Da CNN, em São Paulo
28 de maio de 2020 às 19:01
comércio fechado, Santos

Comércio permanece fechado em Santos, SP, desde março

Foto: Marcelo Martins / Prefeitura de Santos

Os prefeitos das nove cidades que representam a Baixada Santista decidiram contestar a classificação “vermelha” da região em plano de retomada econômico do estado de São Paulo, apresentado nesta quarta-feira (27) pelo governador João Doria (PSDB). O Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb) aguarda um retorno do governo estadual. 

O objetivo dos prefeitos da Baixada Santista é que a região passe a ser considerada “bandeira laranja”, o que permite a reabertura gradual de algumas atividades econômicas na próxima segunda-feira (1). Enquanto a região continuar classificada como vermelha, o período de isolamento social prossegue com as mesmas regras de distanciamento social aplicadas até o momento. 

O prefeito de Santos e presidente do Condesb, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), afirmou que participou de reuniões com membros do governo estadual, ainda na noite de quarta-feira (27). 

“Estamos dialogando com o Estado e pleiteando uma revisão desse estudo, com correção desses equívocos. Temos um dos maiores percentuais de testagem do Brasil. Não se pode punir os municípios que fazem o trabalho correto. À medida que testamos, temos mais casos e óbitos confirmados”, disse o prefeito de Santos.

Leia também:

Prefeitos da Grande SP contestam flexibilização da quarentena apenas na capital

Com 6.382 confirmações, SP registra recorde de novos casos diários de Covid-19

Reabertura de comércio em SP depende de aprovação da Vigilância Sanitária

Pelo programa estadual, a Baixada Santista poderá iniciar a flexibilização da quarentena somente na segunda quinzena de junho. “Discordamos dos critérios adotados pelo governo do Estado. Os números apontados não reproduzem a realidade da Baixada Santista. Para estar na zona vermelha, teríamos que ter menos de três leitos de UTI por 100 mil habitantes, mas temos mais de 15. Números de casos e óbitos confirmados também não nos enquadram nessa fase”, afirma Barbosa. 

Grande São Paulo

Prefeitos das cidades de Osasco, Cotia, Cajamar, Itapevi e Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo também contestam o novo modelo de flexibilização adotado pelo governo estadual. 

Municípios da região metropolitana, Baixada Santista e Registro foram incluídos nessa etapa, com exceção da capital paulista. A cidade que é a que mais tem casos da Covid-19 no Estado ficou na zona laranja, podendo reabrir, de forma gradual, comércio, shopping, concessionárias, escritórios e atividades imobiliárias. 

O fato causou indignação dos demais prefeitos da região metropolitana, que somam menos casos e condições mais favoráveis, como taxa de isolamento alta e boa capacidade no sistema de saúde. 

 É o caso de Cajamar com 65% da taxa de ocupação dos leitos, 81 casos confirmados de Covid-19 e 21 mortes. O prefeito Danilo Joan diz que não entendeu a mudança de critérios para flexibilização do governo estadual.  “Nós cumprimos todos os requisitos, da noite para o dia mudam, cumprimos a quarentena e fomos punidos”, afirmou.