PF investiga servidor e cumpre mandados contra corrupção na Receita Federal

Operação Probitas cumpre três mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária contra auditor-fiscal que pediu propina de R$ 23 milhões a empresário

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo
12 de junho de 2020 às 08:16 | Atualizado 12 de junho de 2020 às 09:47
Operação da Polícia Federal tem como alvo auditor-fiscal da Receita Federal que pediu propina de R$ 23 milhões a empresário
Foto: Arquivo/Agência Brasil (12.dez.2019)

A Polícia Federal realiza nesta sexta-feira (12) a Operação Probitas para apurar crimes de corrupção praticados por servidor da Receita Federal.

A investigação começou em março deste ano após o recebimento de denúncia feita por um empresário que disse ter sofrido chantagem de um auditor-fiscal da Receita.

"Com o avanço das investigações, foi possível verificar a verossimilhança dos fatos alegados, constatando-se que o servidor solicitou propina, no valor aproximado de R$ 23 milhões, mediante a promessa de deixar de autuar estabelecimento comercial e encerrar os procedimentos de uma fiscalização tributária em andamento", afirmou a PF, em nota.

Na operação, que tem a participação da Receita Federal, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária nas cidades de São Paulo e São Sebastião, no litoral paulista.

Os investigados poderão responder pelos crimes previstos de corrupção passiva tributária, associação criminosa e organização criminosa.

Em nota, a Receita Federal afirmou que sua corregedoria tomou conhecimento dos fatos por meio de denúncia e entrou em contato com a Polícia Federal para a efetivação de um trabalho conjunto, tendo integrado as investigações desde o seu início, em março de 2020.

"Participam diretamente da investigação servidores da Corregedoria e da Coordenação-Geral de Pesquisa e Investigação da Receita Federal do Brasil, diz o comunicado. "A Receita Federal do Brasil mantém-se fiel ao seu compromisso de buscar a excelência do serviço público e de manter incólume a moralidade administrativa, em respeito à população e aos demais membros de seu corpo funcional."

Segundo a PF, a operação foi nomeada Probitas, da palavra latina probidade, “pois o que se busca com as investigações é restabelecer a probidade dentro da administração pública por meio da identificação e afastamento de servidores corruptos”.