Daniel Filho e Paulo Miklos debatem sobre reinvenção da arte no pós-pandemia

A décima edição do programa 'O Mundo Pós-Pandemia' entrevistou Paulo Miklos e Daniel Filho para falar sobre o futuro da cultura e do entretenimento no Brasil

Paula Mariane, da CNN, em São Paulo
13 de junho de 2020 às 22:50 | Atualizado 14 de junho de 2020 às 11:32
 

Paulo Miklos e Daniel Filho foram os entrevistados da edição desse sábado (13) do programa "O Mundo Pós-Pandemia". O ex-integrante da banda Titãs e o produtor abordaram os desafios enfrentados pela classe nos tempos atuais. Além disso, os convidados falaram sobre a necessidade da reinvenção e as possibilidades que podem ser exploradas pelos artistas no período da pandemia. 

Buscando inspiração

Na busca por inspiração em tempos de pandemia, Paulo Miklos fala das alternativas que as pessoas têm encontrado para fazer as manifestações artísticas. "A gente viu cenas muito emocionantes nas sacadas dos edifícios, histórias muito divertidas." Neste contexto, citou uma DJ de Santos, que criou uma rádio e oferece música para a vizinhança.

"Ela foi na garagem onde ela guarda os instrumentos e fez uma rádio, onde ela fala, comenta e oferece músicas para a vizinhança. São atividades simples, mas que você coloca a serviço das pessoas". 

Para ele, a "música tem um aspecto emotivo de lembrança, de memória afetiva". "É um momento muito importante para levarmos um pouco de leveza", declara. 

O produtor Daniel Filho demonstra preocupação não só com a situação atual dos artistas brasileiros, mas também a respeito do futuro. "A palavra que me veio para definir [a situação] é ‘miséria’. Porque, no presente momento, nós estamos realmente marginalizados", lamenta. "Teremos que batalhar para ver como vamos voltar."

Neste contexto, Daniel se considera privilegiado, mas alerta que isso não é uma situação vivida pela maioria. "Logicamente temos pessoas que foram bem sucedidas, que estão em uma situação tranquila. Somos poucos."

Reinvenção

Paulo Miklos compartilha a mesma preocupação: para ele, ainda deve levar um tempo até que haja uma situação totalmente normalizada. "Isso é bastante preocupante em minha área em especial. Porque a gente lida com isso, com aglomeração, com o povo", diz. As áreas de entretenimento e de eventos foram extremamente afetadas devido à pandemia. 

"A gente está se reinventando e descobrindo que é possível levar a emoção [de outras formas]. A gente foi reduzido, mas ao mesmo tempo forçados a ser criativos".

No programa, Paulo relatou uma experiência que viveu ao fazer uma transmissão ao vivo nas redes sociais. "Eu destinei parte do cachê [recebido da live] para minha equipe e meus músicos. Porque eles estariam presentes se não fosse por essa questão. Fiz isso para atenuar o impacto [da pandemia]", conta. 

"A gente está aprendendo muito e acho que deve até evoluir. Estamos testando os limites."

Para ele, a pandemia traz a necessidade, ainda, de reformular o modelo de negócios, adaptando-se aos novos postos de trabalho. "[Com] essa adaptação, pode ser que deixe [de existir] alguns cargos, mas abrem outras possibilidades. Existe uma série de outros profissionais que passaram a ser necessários", analisa. 

Ao falar de esperança, Daniel Filho faz uma referência com a música "Imagine", de John Lennon. "O que vai acontecer agora, quando [a pandemia] terminar, é uma grande explosão que nós estamos, no presente momento, em plena criação dela."

"A gente tá vendo a possibilidade que o próprio mundo tem enquanto força orgânica. A Terra tem possibilidade de recuperação", afirma.