MPT apura irregularidades no Hospital de Campanha do Anhembi

Dois inquéritos civis foram abertos: um referente às condições de trabalho e outro sobre a forma de contratação dos médicos

Anne Barbosa, da CNN em São Paulo
16 de junho de 2020 às 19:49 | Atualizado 16 de junho de 2020 às 20:10

Funcionários descansando em sofás e até no chão durante um plantão noturno --alguns dividindo a mesma cama. Essas situações foram flagradas dentro do Hospital de Campanha do Anhembi, em São Paulo, e estão documentadas por fotos em uma denúncia feita pelo Sindicato dos Médicos de São Paulo.

O sindicato também aponta irregularidades na contratação dos profissionais. Isso porque as duas organizações que administram o hospital, o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) e a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), passaram para uma outra empresa, a OGS, a função de contratar os médicos. Mas a OGS repassou essa função para uma quarta empresa. 

Segundo o sindicato, a OGS cobra dos médicos a aquisição de cotas de participação das empresas do grupo. Os profissionais são obrigados então a assinar uma procuração para autorizar a distribuição de dividendos, que na verdade é a remuneração mensal.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) apura as duas denúncias em dois inquéritos civis, um referente às condições de trabalho e outro sobre a forma de contratação dos médicos.

“O Iabas foi intimado a juntar toda a documentação relativa a contratação desses médicos e a comprovar o fornecimento de proteção individual e coletiva a todos os trabalhadores do hospital de campanha, além de número suficiente e qualidade adequada”, afirma Murilo Muniz, procurador do Ministério Público do Trabalho. 

O sindicato denuncia também que faltam equipamentos de proteção individual, e os que foram entregues são de baixa qualidade. Médicos e enfermeiros estariam utilizando um mesmo avental durante todo o dia. 

“O Brasil já é o país do mundo onde há mais profissionais de saúde mortos pela Covid, mas também aumentam as chances de contaminação entre os pacientes. Muitos pacientes que estão nos hospitais de campanha não são casos confirmados ainda”, disse Victor Dourado, representante do Sindicato dos Médicos de São Paulo.

O Hospital de Campanha do Anhembi é municipal e está funcionando desde o dia 11 de abril. Tem 1.800 leitos de baixa e média complexidade.

O Iabas diz que não faltam EPIs, que os equipamentos estão dentro das especificações da Anvisa e que há locais de descanso em quantidade suficiente.

A SPDM afirma que as denúncias não atingem os leitos administrados pela entidade.  

A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo disse que vai apurar as denúncias na área administrada pelo Iabas.

A CNN não conseguiu contato com a IGS.