Ceciliano diz que governo do Rio ofereceu quase todas as secretarias por apoio

Presidente da Assembleia Legislativa do Rio destaca movimento brusco de Witzel em busca de uma base governista após a abertura do processo de impeachment

Da CNN
16 de junho de 2020 às 21:26 | Atualizado 16 de junho de 2020 às 21:43

Em sua primeira entrevista após colocar em votação e posteriormente aprovar a abertura do processo de impeachment do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), André Ceciliano (PT), disse que os movimentos para tentar criar uma base governista foram bruscos, e que somente duas secretarias do governo não foram oferecidas em troca de apoio.

“Fizeram um movimento muito brusco de aproximação e até chegaram a oferecer secretarias. Ofereceram todas menos a de Desenvolvimento e da Fazenda", afirmou. "Como o governo não tem base, o Lucas Tristão (ex-secretário de Desenvolvimento Econômico) tentou desestabilizar a Assembleia. Vários parlamentares receberam ofertas para se tornaram líderes da base governista".

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Tristão foi considerado um dos pivôs da deterioração da relação de Witzel com a Alerj. Frases como “deputado é como jujuba, é possível comprar em toda a esquina”, foram citadas por Ceciliano como um dos motivos da abertura do processo de impeachment de Witzel.

Segundo presidente da Alerj, as ameaças de Lucas Tristão contra os deputados ajudou no placar de 69 a 0 a favor da abertura do processo de impeachment. "Ele falou que tinha informações sobre os 70 deputados", afirmou Ceciliano.

Questionado sobre como imagina que irá transcorrer o processo de impeachment, Ceciliano disse não querer adiantar resultados que devem acontecer em setembro, mas disse que para o governador provar sua inocência, ele terá que “governar, governar e governar.”

Procurado pela CNN, o governo do Rio não se manifestou sobre as declarações de Ceciliano. O ex-secretário, Lucas Tristão, disse que já prestou todos os esclarecimentos sobre a questão dos dossiês, e que muitas frases, como a que compara deputados a "jujuba", são atribuídas a ele sem que o mesmo tenha dito.

(Edição: André Rigue)