Com cerca de mil empresas fechadas no Rio, bares e restaurantes pedem reabertura

Setor elabora próprio protocolo de segurança e diz que exigências da Secretaria de Vigilância Sanitária do Rio são impossíveis de serem seguidas

Iuri Corsini, da CNN no Rio de Janeiro
17 de junho de 2020 às 21:24
Bares e restaurantes de Botafogo fechados no horário do almoço, no Rio de Janeiro
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Uma das atividades mais afetadas pela pandemia do coronavírus foi a do setor de bares e restaurantes, que teve seus estabelecimentos fechados diante das medidas de isolamento social. De acordo com o Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio), somente em abril foram extintas quase 19 mil vagas de emprego no estado do Rio e cerca de mil empresas do setor já fecharam as portas em definitivo. Já na capital fluminense, a perda foi de pouco mais de 11.500 postos de trabalho no setor. No Brasil, foram fechadas 83.892 vagas de empregos formais no mês de abril.

"No Rio de Janeiro, cerca de 10% das empresas já fecharam em definitivo e até 1/3 não deve chegar até o final do ano se medidas fortes de crédito e de apoio ao pequeno empreendedor não forem adotadas", alerta o presidente do SindRio, Fernando Blower.

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O setor de bares e restaurantes representa mais de 10 mil estabelecimentos na capital fluminense e cerca de 110 mil empregos diretos. O faturamento estimado do setor no estado do Rio foi de R$ 156,3 milhões. Este valor representa uma queda de R$ 788,3 milhões na comparação com maio de 2019. Nos primeiros cinco meses do ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, o faturamento das empresas do setor recuou 31,6% (- R$ 1,6 bilhão).

Diante disso, o SindRio encaminhou ofício à prefeitura do Rio e também à Câmara dos Vereadores requerendo de forma urgente que bares e restaurantes sejam incluídos na fase 2 de retomada. O sindicato entende que não há sentido em permitir a abertura de shoppings, comércios de rua e igrejas, e não permitir que bares e restaurantes também reabram.

"A despeito das críticas que podem ser tecidas em razão de o Município ter preferido liberar o funcionamento de ambulantes e shoppings, que não atendem aos critérios econômico (de geração de emprego), de distanciamento e de interação (em tese os critérios adotados para planejar a reabertura faseada), é indubitável que a abertura do setor representados pelo requerente é urgente e imperioso", diz o ofício.

Além disso, o sindicato preparou um próprio protocolo de segurança para a volta das atividades. A iniciativa se deu porque, segundo o SindRio, os protocolos de segurança exigidos pela Secretaria de Vigilância Sanitária do Rio são impossíveis de serem cumpridos no setor de bares e restaurantes. Especialmente a parte que fala sobre o distanciamento. Segundo o presidente do SindRio, caso sejam cumpridas as medidas de ter uma pessoa a cada 4m², 30% das mesas ocupadas e espaçamento de 2m entre as mesas, os bares e restaurantes “não vão conseguir atender ninguém e a receita não vai cobrir os custos.”

Ainda de acordo com o SindRio, em abril, houve um recuo de 70,2% na arrecadação do ICMS em relação à atividade de bares e restaurantes no estado, tendo sido a pior arrecadação de ICMS da história do setor de bares e restaurantes. Isso mostra o tamanho da crise do segmento no Rio de Janeiro. Uma pesquisa realizada pelo sindicato mostrou que 80% dos estabelecimentos da cidade perderam entre 50% a 100% do faturamento desde o início do isolamento social.

O presidente do sindicato, Fernando Blower, criticou o Governo Federal pelas promessas de créditos. Segundo o sindicato, "mais de 85% dos estabelecimentos não tiveram acesso a qualquer crédito, a despeito de os encargos trabalhistas, cobranças de concessionárias de serviços públicos e aluguéis serem cobrados religiosamente”.

Em levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o setor de alojamento e alimentação (que engloba bares e restaurantes) foi o que mais teve retração na força de trabalho no Brasil. Em março, a diferença entre admissões e demissões ficou negativa em 83 mil postos de trabalho, uma queda de 4,17%. Já em abril, a queda foi de 6.64%, o que representa a perda de 127.876 mil vagas de trabalho no setor.