Imagens da Polícia Civil obtidas pela CNN mostram o momento da prisão de Queiroz

A casa onde ele estava pertence ao advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef

Stephanie Bevilacqua Da CNN, em São Paulo
18 de junho de 2020 às 11:55 | Atualizado 18 de junho de 2020 às 12:06

Em vídeo cedido à CNN, a Polícia Civil registrou o momento em que Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, foi preso em Atibaia, interior de São Paulo, na manhã desta quinta-feita (18).  

A casa onde ele foi preso é descrita como uma espécie de sítio, com um grande quintal e um imóvel relativamente pequeno. O local pertence ao advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef. Inclusive há uma placa na entrada do imóvel indicando o nome de “Wassef & Sonnenburg – Sociedade Advogados”. 

Em entrevista à CNN, o caseiro do local havia dito que ali funcionaria um escritório de advocacia e que Fabrício Queiroz estava lá se tratando contra o câncer. No entanto, as imagens revelam que o imóvel estava organizado como uma residência: com quartos, cozinha e sala de estar. 
 
Os policiais relatam que, no momento em que chegaram, Fabrício Queiroz estava dormindo, e ele não teria ouvido o chamado dos agentes porque teria tomado um remédio para dormir.
 
O delegado da Polícia Civil que acompanhou o mandado informou que ele não estava armado e não ofereceu qualquer tipo de resistência. Fabrício também se disse à disposição dos policiais. Apenas destacou que sua saúde estaria debilitada. 
 
Alvo de prisão preventiva e de busca e apreensão, a operação apreendeu documentos e equipamentos, como celulares.

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A prisão faz parte de uma ação conjunta entre o Ministério Público do Rio de Janeiro e o Ministério Público de São Paulo, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) dos dois estados.

No inquérito sobre o esquema de corrupção na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o ex-subtenente da Polícia Militar é suspeito de cobrar a "rachadinha" – termo usado para apontar a prática de descontar salários de servidores – quando trabalhava no gabinete de Fávio Bolsonaro.

Na época, o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) detectou movimentação superior a R$ 1,2 milhão nas contas de Queiroz, amigo da família Bolsonaro. A filha dele trabalhava no gabinete do presidente quando este era deputado estadual.