Atrasado, hospital de campanha de Roraima começa a receber pacientes

Estrutura do local estava pronta desde março

Giulia Pereira e Giovanna Bronze, da CNN, em São Paulo
20 de junho de 2020 às 18:03
Paciente com Covid-19 sendo transferido para hospital de campanha de Roraima
Foto: Divulgação/Governo de Roraima (19.jun.2020)

Com estrutura finalizada desde o final de março e demora em adquirir equipamentos e contratar profissionais da saúde, a APC (Área de Proteção e Cuidados), mais conhecida como hospital de campanha do Exército Brasileiro em Boa Vista (RR), começou a receber pacientes transferidos do Hospital Geral de Roraima na madrugada desta sexta-feira (17).

Até o momento, 20 pessoas já deram entrada no local. O governo do estado havia informado, inicialmente, que a transferência começaria na última quarta-feira (17). 

Leia também:

SP e RR têm piores indicadores de transparência em pandemia, diz estudo

Preço de respirador comprado por estados varia em até 4 vezes e enfrenta apurações

No momento, 80 leitos estão disponíveis no local, mas o número deve ser ampliado para 174 até a próxima semana. “Não medimos esforços para fazer funcionar o hospital de campanha porque sabemos da necessidade da nossa população, mas a burocracia e dificuldade na aquisição e entrega de insumos, nos obrigou a adiar o início das atividades da unidade”, informou o governador, Antonio Denarium (PSL).

Dentre os materiais adquiridos pelo Governo de Roraima estão 20 monitores, 20 respiradores, 01 desfibrilador e 03 ventiladores de transporte, entre outros, totalizando um investimento de R$ 1.534.641. 

Por telefone, o governador falou à CNN e disse que o atraso na entrega da unidade se deu pelo “boicote dos médicos”, além de ter informado que o governo do estado entrou na Justiça após os médicos do CRM-RR (Conselho Regional de Medicina de Roraima) não se apresentarem para trabalhar. A Justiça do estado havia autorizado a contratação de médicos estrangeiros sem registro no CRM para trabalharem no local em casos excepcionais, que mostrassem a escassez de médicos brasileiros. O processo seletivo para contratação começou há 30 dias. 

Durante uma reunião virtual na última terça-feira (16), Denarium também informou que o estado enfrentou problemas para a aquisição de mais equipamentos e medicamentos por falta no mercado, burocracia ou por conta do transporte das compras. 

Em nota, a CRM-RR disse que mais de 100 profissionais médicos estavam prontos para atuarem no hospital, e que disponibilizaram este quantitativo há mais de 15 dias. Na última segunda-feira (15), médicos e representantes do CRM-RR e do Sindicato dos Médicos de Roraima estiveram em frente ao local para reivindicar a abertura da unidade. De acordo com Rosa Leal, presidente do CRM-RR, a demora na abertura do hospital de campanha não é por falta de médicos, mas por questões de ingerência das autoridades. 

A Justiça de Roraima informou que, ao menos na primeira instância, não recebeu nenhuma solicitação do governo do estado. A segunda instância ainda será avaliada.