Não caracteriza toda a instituição, diz porta-voz da PM sobre abordagem violenta

Segundo o capitão Osmário Ferreira, houve uma “falha de procedimento” no caso ocorrido em Carapicuíba, na Grande São Paulo

Da CNN, em São Paulo
22 de junho de 2020 às 16:26

O capitão Osmário Ferreira, porta-voz da Polícia Militar de São Paulo, falou à CNN nesta segunda-feira (22) sobre a abordagem de um policial militar que agrediu, sufocou e enforcou Gabriel, um jovem de 19 anos na Vila Silviania, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, no fim de tarde de domingo (21). 

Segundo ele, houve uma “falha de procedimento” e o acontecimento “não caracteriza ações e desvios de toda a instituição”.

“A Polícia Militar trabalha com procedimentos operacionais padrão. Pela imagem realmente, os dois vídeos, não têm uma sequência lógica. Vamos analisar os vídeos, as pessoas, os policiais e os jovens [que foram abordados] serão ouvidos para verificar o que realmente aconteceu”, disse. 

Nas imagens, é possível ver que Gabriel é agredido, cai no chão e depois tem o pescoço pressionado por alguns minutos enquanto estava deitado no asfalto. Já na calçada, o policial enforca o jovem até deixá-lo desacordado.

Ferreira falou que o ideal seria que o policial desse “uma ordem de parada”, o indivíduo acatasse, se ajoelhasse e colocasse os dedos entrelaçados sobre a cabeça.  

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Perguntado se há diferença na abordagem policial nas regiões mais ricas e na periferia, Ferreira afirmou que “não há diferença”. Segundo ele, a Polícia Militar age de acordo com cada ocorrência, independentemente do local. 

“Não podemos falar que a periferia é hostil, estaríamos generalizando, como não podemos generalizar a postura dos policiais. Afinal, somos 90 mil homens e estamos tratando de casos isolados”, falou. Ferreira disse também que “a periferia é dotada de pessoas extremamente honestas, que atravessam a cidade durante o dia, indo e vindo, em busca de trabalho”. 

Gabriel relatou à CNN nesta segunda à tarde o momento que foi sufocado pelo agente. "Não tive convulsão. Eu estava me debatendo porque não conseguia respirar. Eu estava pedindo socorro, para ele me soltar, e, quando minha voz não saía mais, eu desmaiei", relembrou ele, que está com marcas no pescoço devido à agressão. "Ele falou para eu ficar quieto e que eu estava preso, mas não disse o motivo. Desmaiei três vezes", completou.

Gabriel contou que a moto em que estava com um amigo, identificado como Charles, foi jogada pela moto do PM, e que foi "enforcado para não respirar". "O policial pulou da moto, achou que eu ia correr e grudou no meu pescoço. Eu desmaiei e já não vi mais nada", contou. "Eu me debati com ele para ter ar", acrescentou o rapaz.

Após o caso, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou um programa para treinar policiais militares para prevenir casos de violência policial, o "Retreinar". Os primeiros a se submeter ao programa será o comando da PM.

(Edição: André Rigue)