Lagoinha-SP: uma cidade cercada pelo vírus 

Município, de 5 mil habitantes, ainda não contabiliza nenhum caso de Covid-19 - mas tenta se proteger enquanto todas as cidades vizinhas têm infectados

Thiago Felix, da CNN
24 de junho de 2020 às 05:00
Barreira sanitária feita pela prefeitura de Lagoinha em março de 2020
Foto: Reprodução/Instagram - Prefeitura de Lagoinha

Um município tranquilo, com aproximadamente cinco mil habitantes e que não contabiliza nenhum caso da Covid-19, apesar de todas as cidades vizinhas já possuírem algum infectado. Essa é a história de Lagoinha, localizada a cerca de 190 quilômetros da capital do estado de São Paulo.
 
De acordo com os números oficiais do governo, os casos do novo coronavírus no interior paulista vem crescendo. Atualmente, o estado soma 602 municípios com registro da doença. Já Lagoinha faz parte do grupo de apenas 43 cidades que está passando ileso pela pandemia.

Apesar da ausência do número de casos no município, a gestão pública local tem olhado com preocupação para essa situação e afirma que estabeleceu protocolos que ajudaram a estampar a realidade atual da cidade.
 
“Foi montada uma força tarefa com a equipe de saúde e demais secretarias municipais. Com a participação de voluntários e da rádio comunitária, levamos as informações e cuidados necessários para a prevenção e combate ao vírus. Carro de som circulando pelas ruas diariamente e a desinfecção das unidades de saúde, prédios públicos e principais ruas da cidade, foram protocolos primordiais que estamos cumprindo para tal resultado”, afirma José Guilherme Corrêa, secretário municipal de administração da cidade.
 
Outro fato curioso é que Lagoinha não possui nenhum hospital. Caso alguém se contamine pelo vírus e necessite do sistema de saúde, precisa ir para Taubaté, localizada a cerca de 50 km de distância. Para o comerciante Beto Coelho, boa parte da população está consciente. No entanto, ele acredita que ainda falta transparência por parte da gestão pública. “O pessoal está se conscientizando, tem bastante gente usando máscara. Mas nem todos sabem sobre a forma de contaminação, falta bastante transparência de alguns órgãos de saúde para passar estas informações para a população”.
 
Para a auxiliar administrativa Alaíde Godoy, moradora da cidade há cinco anos, a prefeitura fez um bom trabalho de prevenção da doença. Ela trabalha em uma casa que cuida de vinte portadores de HIV e confia que o trabalho das autoridades locais foi decisivo para o sucesso do município até o momento. “Eu acredito que o resultado veio da conscientização. O prefeito faz um bom trabalho de prevenção”.
 
Em meio ao cenário de boa notícia, um sentimento comum entre os moradores de Lagoinha é a angústia por temer que o primeiro caso da doença venha aparecer.

Alaíde acredita que é uma questão de tempo. “Medo a gente tem e existe uma grande possibilidade do vírus chegar aqui. A cidade mais próxima daqui é São Luiz do Paraitinga e lá já tem casos confirmados. Como não tem banco por aqui, as pessoas utilizam os de São luiz. Também por ser uma cidade mais rural, aos finais de semana vem muita gente de fora. Mas a gente torce pra que isso não aconteça”, finaliza Alaíde.
 
A gestão municipal também tem essa preocupação e está tomando os cuidados para evitar o temível primeiro caso na cidade. “A informação é a principal fator, além do apoio das equipes de saúde e agentes comunitários. A equipe de vigilância está ativa nas visitas em pontos comerciais para o
cumprimento dos decretos, orientando e informando. Somado a isso, grande parte da população está consciente em relação à necessidade do uso de máscaras”, afirma Corrêa.
 
A população local tem feito sua parte e está saindo da cidade apenas para o necessário. “Por aqui temos muitas pessoas que são idosas e estão respeitando, não viajam mais. O pessoal está comprando mais dentro da própria cidade”, conta o empresário Jonas Oliveira.