O Grande Debate: governo de São Paulo erra na reabertura das atividades?

Augusto de Arruda Botelho e Caio Coppolla debateram também a decisão da cidade de São Paulo de reabrir bares e restaurantes na próxima segunda-feira (29)

Da CNN, em São Paulo
24 de junho de 2020 às 22:25

No Grande Debate da noite desta quarta-feira (24) na CNN, Caio Coppolla e Augusto de Arruda Botelho discutiram o anúncio do governo de São Paulo de que as aulas presenciais nas escolas públicas e particulares serão retomadas a partir de 8 de setembro. O plano prevê o retorno em todas as cidades, mesmo nos municípios que estão em estágios diferentes na pandemia. O tema de hoje foi: o governo demorou demais para retomar as aulas?

“O estado de São Paulo bateu hoje recorde de casos confirmados de Covid-19 em 24 h. Nossa taxa de contágio que vinha desacelerando deixou de cair e ela é o principal índice para aferir o progresso da pandemia. Apesar dos números crescentes, o estado escolheu abrir tudo gradualmente enquanto tivermos a taxa de ocupação de leitos de UTI sob controle,” disse Augusto em seu argumento inicial. Ele também afirmou não concordar com a decisão e questionou os métodos para a escolha da data de retorno às aulas. “Por que o governo apresentou o plano de voltar às aulas em setembro? Para mostrar competência ou para acalmar pais e mães? Seria uma forma de trazer esperança, um norte?”

Já para Caio, discutir a volta às aulas no contexto da pandemia não se resume a prós e contras, mas sim sobre a discussão da retomada de um serviço essencial. “A questão que devemos fazer é: educação é atividade essencial? Interromper as aulas pode causar prejuízos irreversíveis aos nossos estudantes?”. Para embasar sua teoria, Caio trouxe texto da ONU assinado por autoridades da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e Banco Mundial que pondera sobre o ensino presencial. 

“Cito aqui o texto: quanto mais tempo durar a interrupção das escolas, pior será. Nos preocupa que o fechamento prolongado exacerbe as desigualdades e exponha as crianças mais vulneráveis a serem exploradas. Vou além para dizer que devido a outras crises sabemos que quanto mais tempo crianças vulneráveis ficam longe da escola, mais difícil para ela voltar. Essa deveria ser a discussão,” disse Caio.

Augusto disse concordar com a fala de Caio sobre a necessidade da educação presencial e disse ter separado o mesmo trecho para o debate, porém ele chamou atenção aos protocolos estipulados pelo governo do estado e sua aplicabilidade com crianças. “Alguns protocolos que estão sendo aplicados em shoppings serão muito difíceis de acontecer em escolas. Como forçar uma criança de 4 ou 5 anos a ficar de máscaras por horas? Ou como impedir que crianças mantenham distanciamento e não abracem amigos ou professores? Há também o problema de funcionários, que podem ser de grupo de risco ou morar com alguém que é.”

Caio concordou com a crítica de Augusto sobre a dificuldade de crianças respeitarem os protocolos, mas trouxe dado de reportagem da CBS americana que comparou 22 países europeus que retomaram às atividades escolares e não viram novos picos de caso com a ação. “A leitura do mundo desenvolvido é que educar crianças é mais importante do que isolá-las. A maneira atual que estamos lidando com a pandemia, estamos privando uma geração ao direito à educação.”

Bares abertos

O segundo tema do debate foi a decisão da prefeitura de São Paulo de reabrir bares e restaurantes na próxima semana, decisão que Augusto se colocou contra, mas disse compreender uma vez que em sua leitura, o estado se utilizou do número de ocupação leitos de UTI para reabrir a economia, mas criticou a decisão de abrir alguns setores em detrimento a outro. “Acho injusto que por pressão de determinados ramos da economia se apresentem razões científicas, pero no mucho, para que se reabra os estabelecimentos. Defendo a isonomia nas decisões desta natureza.”

“Já podemos definir que o prefeito considera que o bar é atividade mais essencial que escolas,” brincou Caio, que concordou com a reabertura. “A medida é acertada pois irá seguir protocolos de distanciamento. Por outro lado, a decisão de frequentar os locais é individual, justa em uma região onde a situação de leitos de UTI é confortável.”

(Edição: André Rigue)