MP prende empresário suspeito de fraude em compras de merendas no Rio de Janeiro

Mesmo com a pandemia de Covid-19 e a eventual suspensão das aulas, as atividades ilícitas se mantiveram na compra de cestas básicas aos alunos.

Henrique Andrade, da CNN, em São Paulo
26 de junho de 2020 às 13:11 | Atualizado 26 de junho de 2020 às 17:26

A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do estado, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), cumpriram um mandado de prisão e 64 de busca e apreensão na manhã desta sexta-feira (26), em uma operação que investiga fraudes na compra de merendas e equipamentos para escolas estaduais.

A Secretaria de Educação do RJ garantiu que irá afastar os diretores investigados até que sejam concluídas as investigações.

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A Operação Prandium cumpriu os mandados na capital e em municípios da Baixada Fluminense, com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) e do Grupo de Apoio Técnico Especializado (GATE). O empresário Mauro Della Vieira Braga, responsável pela empresa Fox Comércio e Prestação de Serviços, foi preso no início da manhã.

O grupo foi investigado durante cinco meses e as suspeitas apontam para a existência de uma organização criminosa, operando com falsos orçamentos e preços forjados para simular concorrência.

Empresários investigados pagaram propinas a diretores de escolas para que houvesse direcionamento na escolha e compra dos bens. Os preços eram previamente combinados, com redirecionamento à empresas registradas em nome de “laranjas”.

Mesmo com a pandemia de Covid-19 e a eventual suspensão das aulas, as atividades ilícitas se mantiveram na compra de cestas básicas aos alunos.

Produrada pela CNN, a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) disse que solicitou, no ano passado, à Secretaria de Polícia Civil que investigasse a compra de merenda por parte de unidades escolares.

Segundo a pasta, "cabe ressaltar que a escolha dos fornecedores é feita pelas direções das escolas e que a Secretaria apenas repassa a verba para as unidades para a aquisição de alimentos. A Seeduc esclarece ainda que os diretores são eleitos pela própria comunidade escolar".

A gestão garantiu que "afastará os diretores dos cargos e aguardará a conclusão das investigações para outras medidas".