Justiça do RJ determina apuração sobre gastos de Eduardo Paes


Stéfano Salles, Da CNN, no Rio
27 de junho de 2020 às 09:38

A Justiça do Rio de Janeiro pediu que a Prefeitura do Rio apure os gastos da Gávea Pequena, residência oficial do prefeito do Rio, no Alto da Boa Vista, com eventos durante a gestão do prefeito Eduardo Paes. A medida está em um despacho da juíza da 8ª Vara de Fazenda Pública, Alessandra Cristina Tufvesson, e os efeitos compreendem o período entre 2009 e 2016. A magistrada acatou um pedido da Comissão Provisória Estadual do PROS do Rio de Janeiro, solicitado pela deputada federal Clarissa Garotinho, presidente da sigla no estado. 

Clarissa Garotinho reagiu a um vídeo que circulou nas redes sociais nas últimas duas semanas, no qual o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, preso e condenado a quase 300 anos de prisão no âmbito da Operação Lava-Jato, saia em defesa do pai. No vídeo, Marco Antônio queixava-se dos posicionamentos de Eduardo Paes, no qual o ex-prefeito, a seu ver, tentava se dissociar da imagem do ex-governador, um antigo aliado. 

“Marco Antônio Cabral fez revelações graves. Queremos que a Justiça conclua essas investigações. Há fortes indícios de uso de dinheiro público para homenagear e bajular um dos políticos mais corruptos da história do Brasil, de quem Paes sempre foi aliado. Queremos que os eventuais danos aos cofres públicos sejam reparados pelo ex-prefeito”, disse Clarissa.

O ex-prefeito Eduardo Paes não contestou ter oferecido jantares ao ex-governador Sérgio Cabral, e citou outras autoridades por ele recebidas para eventos semelhantes na residência oficial. 

"Jantaram lá também o Lula, a Dilma o Obama, o presidente da Fifa, do Coi, o cardeal, o Michel Temer, a Dilma, o Pezão...e a partir de janeiro vou convidar o presidente Bolsonaro várias vezes também. O Witzel tem cara de ser muito chato, mas vou convidar também. O pai da Clarissa não vou poder convidar, porque certamente vai estar preso pela quinta vez. O Rio a partir de janeiro vai retornar seu protagonismo no Brasil", disse o ex-prefeito. 

A decisão pede que a Prefeitura do Rio informe todos os eventos realizados na residência oficial durante a vigência dos dois mandatos de Eduardo Paes, e que o Tribunal de Contas do Município (TCM) informe os gastos de cada evento, em um prazo de 20 dias. Somente então o ex-deputado Marco Antônio Cabral será chamado para uma oitiva. 

Para mostrar que o prefeito e o pai eram próximos, Marco Antônio citou os jantares promovidos pelo prefeito em homenagem ao ex-governador, na Gávea Pequena, contabilizados por ele como “Mais de 40”, de 2014 a 2016, disse que Paes se referia ao ex-governador como chefe, grande amigo, e irmão. E citou uma festa de aniversário de 50 anos do então governador, dada pelo ex-prefeito, na Gávea Pequena. 

No vídeo, Marco Antônio diz que ele, o pai e a família continuarão a apoiar Paes, mas pede para que ele pare com esse comportamento, que estaria “machucando a família”. Paes é pré-candidato ao cargo de prefeito, que já ocupou por dois mandatos. Mas trocou o MDB pelo DEM. Marco Antônio Cabral, que foi Secretário Estadual de Esporte, Lazer e Juventude no governo do sucessor de Cabral, Luiz Fernando Pezão (MDB), não foi reeleito deputado federal na eleição de 2018.

Eduardo Paes

Apuração dos gastos na residência oficial do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes 

Foto: Ricardo Cassiano/Prefeitura do Rio