As 5 cidades que ainda resistem à Covid-19 em SP

Últimas 'trincheiras' contra o avanço do vírus estão em rincões distantes, regiões com menos de 5 mil habitantes, sem leitos de UTI

Estadão Conteúdo
16 de julho de 2020 às 11:06 | Atualizado 16 de julho de 2020 às 12:28
Profissional de saúde monitora paciente com Covid-19 em leito de UTI
Foto: Lucy Nicholson - 18.mai.2020 / Reuters

Passados 140 dias da confirmação do primeiro caso do novo coronavírus em São Paulo, ele só não havia chegado, até essa quarta-feira (15), a 5 dos 645 municípios do estado. As últimas "trincheiras" contra o avanço do vírus estão em rincões distantes, cidades com menos de 5 mil habitantes, sem leitos de unidade de terapia intensiva (UTI). Em caso de doença grave, as prefeituras teriam de mandar os pacientes para outras cidades. Juntos, esses cinco municípios somam 18,6 mil moradores.

São José do Barreiro

São José do Barreiro, a 269 km da capital paulista, na divisa com o Rio de Janeiro, tem barreiras instaladas na entrada e na saída da área urbana desde meados de março. Abrigando 4.174 moradores e encravada no Parque Nacional da Serra da Bocaina, a região atrai turistas pelas belas paisagens. Além do parque, estão fechados hotéis, pousadas e fazendas históricas.

"Mesmo com todo o trabalho, é um milagre estarmos sem casos, pois não há como impedir que os visitantes entrem, principalmente nos fins de semana", disse a chefe de gabinete da prefeitura, Beatriz Carvalho Martins.

Lagoinha

A 190 km de São Paulo, Lagoinha, com 4.954 moradores, resiste ao vírus - que atinge com intensidade todas as cidades do entorno. Além das barreiras que também a isolam, a prefeitura estimula as pessoas a fazerem compras no comércio local, evitando a saída para cidades maiores da região.

A campanha deu certo. "As pessoas estão preferindo se abastecer por aqui mesmo para não correr risco, pois as cidades próximas estão com muitos casos", afirmou o comerciante Carlos Eduardo Coelho, dono de um mercadinho. Parte do comércio não essencial já reabriu.

Florínea

Em Florínea, funcionários da prefeitura foram treinados para fazer máscaras e elas foram distribuídas a todos os moradores. "Entregamos casa por casa, para que ninguém alegasse que não tinha, e reforçamos a fiscalização", contou o secretário da Cultura, Ítalo Garcia. 

Na região, vivem 2.676 pessoas, bem à margem do Rio Paranapanema, na divisa com o Paraná, a 484 km da capital paulista. O rio atrai veranistas e pescadores. "Temos dois condomínios de chácaras que recebem turistas e adeptos da pesca esportiva nos fins de semana, mas fizemos um trabalho intenso com eles", disse Garcia.

Outro foco de preocupação é a penitenciária, onde cumprem pena 1.701 presos, mais que a metade da população. "Instalamos barreiras, fechamos o comércio, mas no presídio a ação do município é limitada. Felizmente o vírus não entrou lá", afirmou o secretário. Na fase laranja do Plano São Paulo, a cidade reabriu parte do comércio não essencial.

Ribeirão Corrente

Em Ribeirão Corrente, na região norte do estado, a 420 km de São Paulo, os 164 anos da cidade, comemorados em junho, passaram em branco. A prefeitura fez um apelo para que os 4.718 moradores a homenageassem ficando em casa.

Cruzália

A 480 km da capital paulista, Cruzália, com 2.073 moradores, vive uma história um pouco diferente. Um homem apresentou sintomas e o teste deu positivo para a Covid-19. Mas como o paciente é de outro município, a prefeitura decidiu não o contabilizar - e a cidade se mantém sem registro oficial da doença.

"O morador procurou nossa equipe de saúde com sintomas de gripe. Fizemos o teste rápido e deu positivo, mas ele retornou a sua cidade. O caso é de lá", informou a prefeitura. Segundo o município, as pessoas que tiveram contato com o paciente foram contatadas e estão em isolamento preventivo.

Cidades que registram primeiros casos

Em lugares onde todos se conhecem, a chegada do vírus assusta os moradores. Foi o que aconteceu em Jeriquara (4.873 habitantes), com o primeiro caso confirmado no dia 9 de julho.

O prefeito Eder Gonçalves (PSDB) fez uma live em sua rede social para tranquilizar a população, que exigia que o nome do infectado fosse revelado. "Imploro que mantenham o isolamento. Aqui todo mundo conhece todo mundo e um precisa cuidar do outro", disse Gonçalves.

No dia 2 de julho, em boletim extra, a secretaria da Saúde de Arco Íris (1.791 habitantes), anunciou o primeiro caso. "A paciente trabalha na área de saúde em Tupã, cidade próxima, e só vem a Arco Íris para dormir", contou a prefeita Ana Serafim (PTB). Como a mãe e duas crianças que vivem com a infectada não pegaram o vírus, a prefeita decidiu pedir que seja feito um novo teste. O município abriga 300 índios vanuíres, da etnia caingangue. Nenhum dele pegou a doença até o momento.

Na segunda-feira, Nova Independência confirmou o primeiro caso entre seus 3.969 habitantes. No mesmo dia, a prefeitura de Nova Canaã Paulista, onde vivem 1.881 pessoas, confirmou dois casos positivos e um óbito suspeito. No dia 13, foi a vez de Bonsucesso de Itararé confirmar o primeiro caso.