Prefeito de Cuiabá prorroga toque de recolher e critica decisão judicial

Decreto federal permitiu funcionamento de 57 atividades essenciais

Carolina Figueiredo, da CNN em São Paulo
20 de julho de 2020 às 22:11
O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro
Foto: Divulgação/Prefeitura de Cuiabá (2.jul.2020)

O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), anunciou nesta segunda-feira (20) a prorrogação do toque de recolher na cidade até o dia 3 de agosto.

A medida, que restringe a circulação entre 20h e 5h, foi implementada na cidade em junho. Segundo Pinheiro, o decreto será publicado no Diário Oficial desta terça-feira (21). 

Durante entrevista coletiva, o prefeito avaliou que a chamada quarentena coletiva obrigatória imposta pela Justiça gerou uma dificuldade ainda maior no exercício das ações fiscalizatórias. Desde o dia 25 de junho, a capital mato-grossense cumpre a medida imposta por meio de decisão judicial que, seguindo um decreto federal, libera a abertura de 57 atividades classificadas como essenciais.

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O decreto do governo federal, assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em 20 de março, e que foi seguido pela Justiça na determinação, permite a abertura de atividades religiosas de qualquer natureza, locadoras de veículos, salões de beleza, barbearias e academias.

A reabertura gradual anteriormente imposta pelo prefeito não permitia a abertura de vários desses setores contemplados pelo decreto. 

“Entendo a preocupação das nossas autoridades, mas eu acho que faltou vontade de conversar com os técnicos de Cuiabá e Várzea Grande para resolver o problema", afirmou. "Eu dialogo com todos os segmentos da sociedade, porque eu acho que essa é a missão do prefeito, construir pontes e não paredes. Era só me procurar, trazer as sugestões. Eu estou tentando aqui, prorrogando a duração e antecipando o toque de recolher para às 20h, o que tem ajudado muito, porque a noite cuiabana é muito intensa, muito agitada e esse momento de lazer é muito propício para a propagação do vírus”.  

O prefeito criticou a decisão da Justiça e disse que, se não tivesse feito o primeiro decreto de quarentena, em 25 de março, a situação estaria totalmente fora do controle.

“Agora, 57 atividades essenciais funcionando com horário que funcionavam no período anterior à pandemia. Como que controla? É uma cidade com cara de atividade normal e está com atividade normal. Estou tomando medidas pontuais para evitar que uma situação ou outra possa agravar a nossa luta no combate a propagação da Covid-19. Mas essa medida judicial sem nenhum viés técnico tem dobrado o trabalho da prefeitura”, disse.

A medida imposta pela Vara Estadual de Saúde de Mato Grosso segue em vigor até o próxima quinta-feira (23).