Agricultura suspende eutanásia de égua prenhe e portadora de anemia infecciosa

Em nota, o ministério informou que o sacrifício do animal está suspenso até a análise administrativa final

Elis Barreto, da CNN, no Rio de Janeiro*
23 de julho de 2020 às 21:34
OAB-RJ entra com recurso para adiar eutanásia de égua prenhe até nascimento do potro
Foto: Reprodução/CNN

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento revogou a ordem de eutanásia contra a égua “Flor”. O caso tomou repercussão após ser divulgado pela CNN nesta quarta.

A decisão atende à solicitação feita pela proprietária do animal, que pertence à família desde março e ao recurso impetrado pela Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da OAB-RJ, que solicitou ao ministério suspensão da medida até, pelo menos, o nascimento do potro.

Em nota, o Ministério da Agricultura informou que o sacrifício do animal está suspenso até a análise administrativa final, que levará em consideração questões associadas ao risco de transmissão da doença para outros animais da propriedade. Segunda pasta, a particularidade do caso é o fato da prenhez da égua, e em decorrência disso, atendeu ao pedido dos donos.

“Considerando a possibilidade de transmissão do vírus por via transplacentária ao feto, não há garantias de que o potro ora gestado não esteja infectado, devendo aquele permanecer em quarentena após o nascimento", diz a nota.

"A proximidade da mãe e o aleitamento por seu intermédio são fatores de risco para o potro nascido, motivo pelo qual a separação de ambos logo após o nascimento é imperativa. As condições de obtenção e administração de colostro ao potro nascido e seu isolamento até que testes laboratoriais possam descartar a possibilidade de que esteja infectado”, concluiu o Ministério da Agricultura. 

A proprietária Paula Chelles conta que o animal foi resgatado pois precisava de melhores cuidados e como possuía um sítio na região serrana do Rio, adotou a égua e logo o bichinho se uniu à família. Em meados de maio, os donos perceberam o aumento de peso do animal e decidiram fazer um ultrassom, onde foi constatada a gravidez e a anemia infecciosa equina.

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Logo após o resultado positivo, o laboratório notificou o Ministério da Agricultura, que interditou a propriedade e notificou a decisão de sacrifício do animal. Paula e o marido tentaram ainda um novo teste, mas o pedido foi negado.

A anemia infecciosa equina é uma doença causada pelo lentivírus, mas não é uma zoonose, ou seja, o equino não é vetor da doença para humanos. Os vetores para os cavalos normalmente são insetos, e os equinos só transmitem para outros equinos através de sangue e leite materno. Por esse motivo, é imprescindível que o filhote seja separado da mãe imediatamente ao nascimento.

*(Sob supervisão de Isabelle Resende).