Governo cria 'margem de segurança' para mudança de fase no Plano SP

Segundo a administração de João Doria, objetivo do ajuste é aumentar a estabilidade na transição

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo
27 de julho de 2020 às 13:43 | Atualizado 28 de julho de 2020 às 14:05

O governo de São Paulo anunciou nesta segunda-feira (27) mudanças nas regras do Plano SP, que orientam a retomada da economia no estado, adicionado uma margem de segurança nos índices considerados na hora de avançar ou regredir as regiões.

As mudanças foram detalhadas pela secretária de desenvolvimento econômico, Patrícia Ellen, em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes ao lado do governador João Doria (PSDB).

A secretária afirmou que objetivo do ajuste é aumentar a estabilidade na transição de fases e impedir que haja trocas – tanto avanço quanto regressão – por um ponto decimal, por exemplo.

"Outros países em fase mais avançada da pandemia nos permitiram aprender que alguns critérios mínimos de números absolutos, como internações por 100 mil habitantes e óbitos por 100 mil habitantes precisam ser adicionados nessa transição", afirmou Ellen.

Assista e leia também:

Governo de SP diminui restrições nas regiões de Campinas, Araraquara e Araçatuba

Reabertura ameniza impacto da crise em bares e restaurantes, diz pesquisa

Dessa forma, o governo adicionou uma margem de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo em relação à capacidade do sistema hospitalar – composta pela média de ocupação de leitos de UTI e pela quantidades de leitos por 100 mil habitantes – e de 0,1 ponto percentual em indicadores com valor absoluto – como o número de casos, internações e óbitos nas últimos 7 dias.

"Na transição da fase vermelha para laranja o limite continua o mesmo, da laranja para amarela foi para 70% (antes era 75%) e da amarela para a verde a calibragem final será aprovada amanhã [terça-feira] pelo Centro de Contingência, se vamos manter como a laranja ou adicionar folga de 5%", completou.

Esse último ponto ainda indefinido pode impactar na transição da cidade de São Paulo para a fase verde.  Apesar de apresentar estabilidade na maior parte de seus índices há mais de 28 dias, o município não progrediu de fase na última atualização do Plano SP apresentado pelo governo, na sexta-feira (24).

Na "recalibragem", como as mudanças foram apresentadas pelo governo, regiões com taxa de ocupação abaixo dos 75% nos leitos de UTI para Covid-19 poderiam passar para a fase verde (4), enquanto o índice previsto anteriormente era de 60%.

"Agora com os 25%, lembrando que a gente mais que dobrou a capacidade, nós estamos garantindo que 2.275 leitos estão sempre disponíveis porque mudou o nosso cenário com a ampliação dos leitos", disse a secretária.

Governo de São Paulo criou 'margem de segurança' nos índices avaliados no Plano SP para dar estabilidade na transição de fases
Foto: Reprodução/ Governo SP/ YouTube

"Além disso, nenhuma região vai transicionar para verde se não alcançar menos de 40 internações e 5 óbitos por 100 mil habitantes, e sem ficar pelos menos 4 semanas na fase amarela", acrescentou. O coordenador do Centro de Contingência da Covid-19 em SP, Paulo Menezes, afirmou que o objetivo das mudanças anunciadas nesta segunda é dar mais estabilidade na mudança de fases.

"Principalmente da fase amarela (3) para a verde (4) para continuar uma progressão lenta e segura sem colocar em risco a saúde da população e diminuindo o risco, como perguntado tantas vezes, de um aumento na velocidade de crescimento da pandemia", afirmou.

O Plano São Paulo dividiu o estado em 22 regiões e sub-regiões, reunindo grupos de municípios sujeitos às mesmas regras. As fases de restrições e flexibilizações do funcionamento de serviços, comércios e atividades variadas são divididas em  vermelha (1), a mais grave, laranja (2), amarela (3), verde (4) e azul (5).

Assista e leia também:

Não acreditamos que possa haver retrocesso na reabertura em SP, diz Gabbardo

SP anuncia retorno do ensino superior em cidade com 15 dias na fase amarela

A fase amarela (3), em que está a cidade de São Paulo, permite o funcionamento de bares, restaurantes e salões de beleza em horário parcial, além de ampliar a taxa de ocupação de espaços liberados pela fase laranja, como shoppings centers.

"Na cidade de São Paulo, temos 333 mil pessoas que estão sendo monitoradas – 207 mil casos já confirmados, 225 mil altas e chegamos a 9.278 óbitos na cidade. Estamos com uma taxa de ocupação dos leitos de UTI administrados pela prefeitura de 55%. Estamos com 66,2% de ocupação de todos os leitos de UTI aqui somados, não apenas os dos municípios, mas os do governo do Estado e os privados", disse o prefeito Bruno Covas (PSDB).

Diminuição de mortes

Doria disse que o número de mortes registradas em todo o estado na semana passada (entre 19 e 25 de julho) foi 4% menor do que em comparação com os 7 dias anteriores. O governo reconheceu, no entanto, aumento de 16% das mortes no interior.

"Os números demonstram nossas projeções na diminuição gradual da doença e o aumento no interior que, até aqui, está dentro do que foi projetado e, portanto, sobre absoluto controle", afirmou o governador.

Em números, a queda de 4% mencionada por Doria significa que a média de mortes caiu de 278 para 267 na semana passada. Já o aumento no interior se traduz com a elevação de média de 112 para 130 mortes pela doença, explicou o secretário da Saúde de SP, Jean Gorinchteyn.

Em relação aos dados diários, Gorinchteyn afirmou que foram 3.672 (até as 10h30), elevando para 487.654 infectados no estado. No acumulado de mortes, já são 21.676 vítimas em SP.

"Lembrando que estamos falando de final de semana e é natural que haja um represamento de dados e tenhamos um acréscimo ao longo da semana", disse.

(Com informações do Estadão Conteúdo)