Homem acusado de racismo contra delegado no DF usará tornozeleira eletrônica

Autor do ataque racista foi solto provisoriamente mediante pagamento de fiança e uso de tornozeleira eletrônica

Rudá Moreira, Da CNN, em Brasília
10 de agosto de 2020 às 19:04 | Atualizado 10 de agosto de 2020 às 19:11

Um homem acusado de racismo contra um delegado dentro de uma lanchonete em uma área nobre de Brasília enviou, por meio de seu advogado, um pedido de desculpas à vítima da agressão física e verbal. Mesmo assim, ele será obrigado a usar tornozeleira eletrônica e está proibido de sair de casa à noite e aos finais de semana. 

"Peço perdão! O injustificável ato não é reflexo da educação, do amor e do respeito que recebi e que carrego como preceitos básicos", escreveu Pedro Henrique Martins Mendes a Ricardo Viana, delegado da Polícia Civil. Endereçada "ao senhor Ricardo, à sua filha, aos familiares e a todos os seres humanos", a mensagem diz ainda: "Solidarizo-me com a dor causada à todos e, mais uma vez, peço desculpas!"

À CNN, Ricardo Viana declarou, após ter recebido o pedido de desculpas, que não pretende responder e tem pela frente "uma grande caminhada processual". Por fim, Viana afirmou: "vidas negras importam".

Por decisão da Justiça, o agressor Pedro Henrique Mendes terá de usar tornozeleira eletrônica e não poderá sair do Distrito Federal por mais de 30 dias após ter a liberdade provisória concedida no último domingo (9) em virtude do estado de calamidade pública causado pela pandemia de Covid-19. Para ter direito ao benefício, no entanto, Pedro teve que pagar fiança no valor de três salários-mínimos.

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O autor do ataque motivado por racismo também fica obrigado, pela decisão da 8ª Vara Criminal de Brasília, a ficar em casa das 20h às 6h nos dias úteis e durante todo o dia aos finais de semana e feriados. A defesa de Pedro Henrique Mendes não quis se manifestar à CNN.

*colaborou o estagiário Marcos Amorozo