Sustentabilidade é indissociável da agenda de desenvolvimento, diz Mourão


Anna Russi e Bruno Silva, da CNN, em Brasília
10 de agosto de 2020 às 11:54 | Atualizado 15 de agosto de 2020 às 11:47
Hamilton Mourão dando entrevista

Vice-presidente Hamilton Mourão falando à imprensa

Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirmou nesta segunda-feira (10) que a sustentabilidade se tornou elemento indissociável da agenda de desenvolvimento social.

"Trabalhamos para que o país supere a atual crise sanitária e retome a trajetória de recuperação econômica, apresentando, também, resultados efetivos em matéria de preservação e desenvolvimento sustentável da Amazônia", disse. 

Ele participou da abertura do II encontro Ibero-Americano da agenda 2030 no Poder Judiciário nesta segunda-feira (10), transmitido pelo Conselho Nacional da Justiça (CNJ).

Para ele, a amplitude da agenda 2030, que abrange 17 objetivos e 196 metas, demonstra que Estado, sociedade civil e mercado privado precisam trabalhar juntos em favor de modelo sustentável e desenvolvimento econômico e social.

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"A iniciativa converge com a nova política de Estado do governo brasileiro para a Amazônia, com a reativação do Conselho Nacional da Amazônia Legal, o qual tenho a honra de presidir e que renovou o compromisso do Brasil com os parâmetros globais de sustentabilidade", comentou. 

Ele ressaltou que os critérios "ESG" (Ambiental, Social e de Governança) passaram a integrar as análises de risco das principais instituições financeiras nacionais e internacionais. 

"Tornando-se elemento essencial para a construção de ambiente econômico propicio ao crescimento e inovação. Nesse contexto fortalecimento da política pela Amazônia torna-se essencial em nosso engajamento com vistas a reerguer e modernizar a economia do Brasil", reforçou. 

Segundo Mourão, ao longo do último semestre o governo federal coordenou ações, em conjunto à outros poderes, estados, municípios e atores não governamentais, com medidas que visavam conter os desmatamentos e as queimadas.

"Estamos construindo planejamento de médio e longo prazo para a Amazônia Legal brasileira. Ao lançar uma nova política de Estado para Amazônia, o governo Bolsonaro reconhece a necessidade de ampliar esforços para proteger e preservar a floresta no marco de uma estratégia de desenvolvimento sustentável para a região", reforçou. 

Visão externa

Na visão dele, a agenda de reformas do governo, que visa o controle do gasto público e o aumento da produtividade, lançar base para o ciclo de crescimento econômico liderado pelo investimento privado no contexto de maior integração com mercados externos e menor intervenção do Estado. 

Mourão destacou, no entanto, que o prejuízo ao patrimônio nacional brasileiro pelos crimes ambientais deixam o país vulnerável à "campanhas difamatórias", que abrem caminho para interesses protecionistas e barreiras comerciais contra as exportações do agronegócio nacional. 

"No plano externo, nos preocupa também a possibilidade de que a crise gerada pela pandemia seja utilizada como justificativa para imposição de medidas protecionistas. Acompanhamos com receio ainda maior o acúmulo de tensões entre as duas principais potencias econômicas do planeta (EUA e China) e seus possíveis efeitos desestabilizadores sobre o sistema internacional", completou.

No entanto, ele avaliou que o fortalecimento do compromisso brasileiro com os parâmetros globais de sustentabilidade, reafirmam o comprometimento do país com o diálogo, o multilateralismo, a cooperação e o direito internacional.

De acordo com ele, os dados do setor externo da economia brasileira inspiram otimismo para o futuro. "O mês de julho registrou superávit recorde de US$ 8,1 bilhão da balança comercial. O saldo acumulado de janeiro a julho aponta aumento de 8,2% em comparação com o mesmo período de 2019, totalizando US$ 3,4 bilhões. Os dados destacam-se em um contexto de queda global de 13% no intercâmbio comercial, conforme previsto pela Organização Mundial da Comércio", comentou. 

Mourão acrescentou que apesar da crise internacional sinalizar uma ampla realocação de cadeias produtivas, as reformas econômicas, a abertura aos mercados externos e o parque nacional industrial, posicionam o Brasil de forma "favorável".

"O posicionamento nacional deverá se beneficiar igualmente dos resultados da política nacional para Amazônia, lançada pelo presidente Bolsonaro no início do ano", complementou. 

100 mil mortos 

O vice-presidente também comentou sobre o marco do último fim de semana de 100 mil brasileiros que morreram por Covid-19. "São perdas irreparáveis que colocam toda a nação em luto", afirmou.