Brasília 60 anos: O sonho dos candangos vai além do funcionalismo público

Com tecnologia de ponta, capital quer se transformar na primeira cidade inteligente do país, mas para isso precisará superar obstáculos e reduzir a desigualdade

César Rosati*
23 de agosto de 2020 às 21:39
Ponte JK, em Brasília
Foto: CNN

Brasília, que nasceu da poeira vermelha do cerrado, hoje abriga mais de três milhões de moradores, muitos sonhos e um desejo imenso de se reinventar. 

Jussara Pellicano Botelho faz parte de uma nova geração de moradores da capital que quer apagar a imagem da cidade feita para viver às custas do poder. Filha de funcionários públicos que se conheceram na cidade há 45 anos, ela é fundadora de uma startup especializada em turismo feminino.

“O ambiente de empreendedorismo em Brasília está tendo um grande avanço, principalmente nos últimos cinco anos. Está atraindo mais capital. A inovação começou a ser uma possibilidade ao serviço público”, garante Jussara. No total, a comunidade de startups de Brasília reúne mais de 200 empresas, de acordo com a Abstartups (Associação Brasileira de Startups).

Ao longo dos anos, Brasília foi um prato cheio para trabalhadores da construção civil. Depois foi tomada por funcionários públicos e políticos. Agora, quer ser a primeira cidade inteligente do país. Para este sonho se tornar realidade é importante quebrar as amarras com o passado, diz Leonardo Reisman diretor do Biotic, parque tecnológico no Distrito Federal que promete revolucionar a cidade nos próximos 30 anos. 

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“Eu acho que é necessário que a gente saia um pouco dessa lógica, do serviço público e do governo, enquanto objetivo primordial dos jovens. A juventude tem uma relação com Brasília muito amorosa, eles gostam da cidade e querem trabalhar em serviços, principalmente na área da informática, economia digital. Há uma identidade muito grande com o novo modelo de globalização da economia”, disse o executivo.

Mesmo com o desejo de se distanciar do poder e do serviço público, o motor desta transformação, ainda é o governo central. De acordo com Reisman, o sétimo maior cliente do mundo em TI é o governo brasileiro. “Aqui em volta se formaram milhares de empresas de tecnologia que oferecem soluções pensando no governo. São as gov techs, empresas que vão tornar o governo mais ágil e tudo mais inteligente e conectado”, explica Reisman.

A expectativa é que cerca de 750 empresas se instalem no Parque Tecnológico Biotic nos próximos anos. A promessa é de que 10 mil pessoas passem a morar no local, sendo que 80% trabalhando nas empresas da cidade. 

Apresentado por Evaristo Costa, o Séries Originais vai ao ar aos domingos, às 19h, na CNN. Conheça qual é o canal na sua operadora para assistir aos outros episódios.

*Da DOC. Films, especial para a CNN Brasil