Pastor Anderson foi internado quatro vezes por envenenamento, diz polícia

Entre maio de 2018 e junho de 2019, Flordelis tentou envenenar seu marido, Anderson do Carmo, por seis vezes, de acordo com o Ministério Público do Rio

Por Thayana Araújo e Jairo Nascimento, da CNN, no Rio de Janeiro
24 de agosto de 2020 às 23:52 | Atualizado 25 de agosto de 2020 às 12:36

Entre maio de 2018 e junho de 2019, Flordelis tentou envenenar seu marido, Anderson do Carmo, por seis vezes, de acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela produtora da CNN, Thayana Araújo, que teve acesso ao inquérito policial que contém quatro laudos com diversos atendimentos de Anderson em um Hospital em Niterói, no Rio.

O inquérito contém o registro de entrada da vítima no Hospital Niterói D'or. Duas são internações, oito atendimentos de urgência. A denúncia destaca quatro atendimentos seguidos de laudos médicos: todos em 2017, em 6 de maio; 21 de maio; 9 de julho e 07 de outubro. 

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Flordelis e Anderson do Carmo
Foto: Instagram/ Reprodução

Ao passar do tempo, Anderson foi internado com mais frequência. Em 9 de outubro de 2018, o pastor apresentou vômito, febre e diarreia. De acordo com registro médico, era o terceiro episódio com os mesmos sintomas. O tratamento ministrado foi de "gastroenterite aguda" que, para a vítima, era uma crise de ansiedade.

Para o MP-RJ e a Delegacia de Homicídios de Niterói e região, Flordelis foi responsável por colocar arsênico, uma substância tóxica, na comida ou bebida do esposo. Em depoimento, uma testemunha diz ter visto a deputada adicionar a substância em um suco de laranja.

O filho do pastor, Carlos Ubiraci Francisco Silva, disse à testemunha para evitar de compartilhar os alimentos consumidos pelo pai, pois esposa de Carlos teria passado mal após consumir uma parte da bebida de Anderson.

Em mensagens trocadas com um dos filhos em 2018, André Luiz de Oliveira, Flordelis orienta: "faça ele comer e beber alguma coisa. Um arroz fresquinho com um franguinho que não faz mal. Só isso".

A deputada contou com a ajuda dos familiares para o envenenamento. As filhas Marzy Teixeira da Silva e Simone dos Santos Rodrigues ajudaram a buscar informações na internet sobre o veneno, além de colocá-lo na comida.

Outro filho, André Luiz de Oliveira, estimulou o pastor a consumir os alimentos envenados segundo o inquérito. Carlos, André, Simone e Marzy foram presos nesta segunda (24) na Operação Lucas 12.

As trocas de mensagens cruzadas com os laudos médicos endossam a acusação da tentativa de homicídio por Flordelis e nas demais denúncias, por homicídio , falsidade ideológica, Associação criminosa e uso de documento falso.

Para Anderson Rollemberg, advogado da parlamentar, "os elementos não são suficientes para que seja denunciada. Existe uma ilação, uma ginástica muito grande pra colocar a deputada como mandante. A defesa está pasma com o que viu".

O advogado dos filhos de Flordelis, Luiz Felipe de Alves e Silva, disse que não vai se manifestar sobreo  conteúdo do processo, apenas que irá pedir a revogação da prisão e, caso não consiga, habeas corpus.

Anderson do Carmo foi morto em junho de 2019, com trinta tiros em Niterói. Flordelis é acusada de ser a mandante da morte do esposo por desavenças financeiras e familiares.