'Era melhor ter conversado, mas tudo normal', diz Mourão sobre Salles

Ministério do Meio Ambiente anunciou na semana passada suspensão do combate ao desmatamento na Amazônia por falta de verba, mas voltou atrás

Natália André, da CNN, em Brasília
31 de agosto de 2020 às 10:31 | Atualizado 31 de agosto de 2020 às 12:53

O vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta segunda-feira (31) que a relação com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, está normal, mesmo depois das declarações conflitantes, da última sexta-feira (28), sobre bloqueio de recursos para operações de combate a incêndios na Amazônia. Apesar disso, o vice, disse que Salles se precipitou e era melhor ter havido um diálogo.

“O ministro teve uma atitude um pouco precipitada. Podia ter falado primeiro comigo, já que se tratava de Amazônia. Não era uma questão só do ministério dele. Eu teria conversado com a área econômica para suspender esse bloqueio de recurso na área dele. Era melhor ter conversado. Não ficou bom. Mas segue o baile. Tudo normal”, explicou, na chegada ao Palácio do Planalto, nesta segunda-feira (31).

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Foto: Reprodução/CNN

Supersalários de militares do governo


Mourão também repercutiu a matéria do jornal "O Estado de S.Paulo" sobre o aval para aumento de salários de militares com cargo no governo que o Ministério da Defesa conseguiu com a Advocacia Geral da União. Para o vice, isso não deveria ser discutido em plena pandemia. 

“Eu, claramente, sou contra isso aí, no momento que nós estamos vivendo. Se a gente tivesse vivendo numa situação normal, com recurso sobrando, tudo bem. Mas não é o que está acontecendo”, concluiu.

A reportagem traz detalhes da articulação da Defesa e do conflito com a equipe econômica que não vê espaço no orçamento para tal mudança. Os militares, dessa forma, acumulariam salários acima do teto do funcionalismo, ou seja, R$ 39 mil.

Esse dispositivo já é previsto na Constituição e se chama “abate-teto”. O governo Bolsonaro tem 9 ministros oficiais das Forças Armadas.