Justiça determina que réus do caso Boate Kiss sejam julgados em Porto Alegre

Incêndio na Boate Kiss ocorreu em 2013, na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e causou a morte de 242 pessoas

Fabricio Julião*
11 de setembro de 2020 às 13:30 | Atualizado 11 de setembro de 2020 às 15:33

A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul determinou, na quinta-feira (10), por dois votos a um, que os réus envolvidos no caso do incêndio na Boate Kiss deverão ser julgados em Porto Alegre. 

Com a decisão, Elissandro Callegaro Spohr, Mauro Londero Hoffmann, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha não serão submetidos ao Conselho de Sentença de Santa Maria, cidade onde aconteceu a tragédia, com juri local. Entre os quatro acusados, apenas Luciano desejava manter o julgamento na cidade do ocorrido, enquanto os outros solicitaram a transferência do município por conta de dúvidas acerca da parcialidade dos jurados. 

“O fato ocorreu há sete anos, mas a possibilidade de incidentes emocionais quando da realização da Sessão de Julgamento é atualíssima, pois a dor emana, especialmente, das vítimas sobreviventes e familiares, que seguramente estarão presentes não importa onde”, avaliou o desembargador Jayme Weingartner Neto. 

“A desterritorialização do local da tragédia, com a convocação da mais distante (geográfica e simbolicamente) Justiça da capital do Estado, torna muito razoável a conjectura de que a autocontenção dos mais diretamente atingidos será favorecida pelo ambiente mais neutro, menos carregado de lembranças, associações", acrescentou. 

Outro fator para o voto do magistrado foram os resultados de uma pesquisa de opinião em Santa Maria, realizada pelo Instituto Methodus. Segundo ela, 70,7% dos entrevistados “perderam pessoas queridas no incêndio”.

O incêndio na Boate Kiss ocorreu em 2013, na cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, em que causou a morte de 242 pessoas e deixou outras 639 feridas. 

(*Sob supervisão de Julyanne Jucá)