Explosão digital: e-commerce pode viver nova transformação nos próximos anos


César Rosati*
13 de setembro de 2020 às 21:25
Felipe Zmoginski

Para Felipe Zmoginski, diretor da Inovasia, chegada do 5G abre novas possibilidades para comércio eletrônico, principalmente em relação à internet das coisas

Foto: Foto: CNN

A pandemia do novo coronavírus acelerou um processo que já estava em curso no mundo: o comércio virtual. Sem chance de sair de casa em muitos casos, a solução para conseguir suprir as necessidades foi recorrer à internet. A demanda por serviços online disparou ao redor do planeta, sendo que, por minuto, mais de US$ 1 milhão são gastos em compras, mostram dados da Domo — empresa especializada em computação na nuvem. 

Com as portas fechadas, os estabelecimentos não tiveram alternativa, a não ser migrar para o digital. Quem ainda não se adaptou precisa correr, pois uma nova transformação pode estar a caminho. O 5G e as tecnologias de inteligência artificial serão capazes de deixar as coisas ainda mais ágeis e moldadas as nossas necessidades, dizem os especialistas no assunto.

“O e-commerce é feito da mesma forma há vários anos. Isso é um indicador de que ele deve estar muito próximo de uma transformação”, explica o diretor de inovação da agência de publicidade ID/TBWA, Rodrigo Carvalho Silveira. De acordo com o Cetic, Centro de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, 66% dos brasileiros fizeram alguma compra online durante a quarentena. Isso representa uma alta de 22 pontos percentuais na comparação com 2019.

O aumento da demanda pegou a maioria dos empresários desprevenidos. “Muitas pessoas não estavam preparadas e isso criou um senso de urgência no curto prazo. Ou seja, as empresas, de uma forma ou de outra, precisaram ir para o digital rapidamente”, afirma Ricardo Melo, diretor de marketing da empresa Hostgator. No entanto, se engana quem acha que esta revolução tecnológica termina aqui.

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A revolução 5G

Alvo de disputa principalmente entre China e Estados Unidos, o 5G é a grande promessa de novos horizontes dentro do comércio digital. “A principal mudança que esta tecnologia deve trazer no dia a dia, é facilitar a internet das coisas, a famosa IOT”, explica o CEO da Inovasia, Felipe Zmoginski. De acordo com ele, países que já adotaram a tecnologia estão experimentando novas possibilidades dentro do universo do comércio eletrônico. 

Sabe aquela conversa, que nunca se tornou realidade, da geladeira vazia que manda mensagem para o supermercado e faz as compras sozinha? Tudo indica que com o 5G isso deixe de ser ficção científica. “Eu mesmo já estive em um hotel que eu pedi um sanduíche, uma pizza e veio um robozinho entregar no meu quarto, um autônomo não precisa da interferência humana”, lembra Zmoginski.

Ver o céu rasgado por drones entregadores também pode ser um futuro prestes a acontecer. O uso destes equipamentos para este fim específico foi autorizado em agosto pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A licença foi dada a uma empresa que presta serviço para o iFood. 

Em junho, o aplicativo de entrega de alimentos bateu a marca dos 39 milhões de pedidos. Se depender deles, parte do delivery será feito sem a presença humana o que, de maneira preocupante, pode aumentar o desemprego.

Michel Alcoforado

“É preciso encarar do debate dos prós e contras do futuro do emprego em um mundo dominado pela inteligência artificial”, propõe o antropólogo Michel Alcoforado

Foto: Foto: CNN

De acordo com o antropólogo Michel Alcoforado, a previsão é de que até 2050 mais de 50% dos empregos formais do país poderão ser ocupados por robôs. “O que a gente tá vendo essa pandemia fazer é destravar um processo de transformação. Daqui a pouco a inteligência artificial vai começar a ter um papel importante na nossa vida. Esse futuro que estava prometido para daqui 30 anos, porém chegou e caiu em nosso colo em 2020”, conclui.

Apresentado por Evaristo Costa, o Séries Originais vai ao ar aos domingos na CNNConheça qual é o canal na sua operadora para assistir aos outros episódios.

*da DOC. Films, especial para a CNN Brasil