Ensino médio não atinge meta projetada para 2019; só Goiás bate objetivo do Ideb

Estado goiano chegou a 4,8 pontos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica; meta nacional subiu para 4,2, mas não chegou no objetivo de 5 pontos

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo, e Caroline Rosito, da CNN, em Brasília
15 de setembro de 2020 às 09:34 | Atualizado 15 de setembro de 2020 às 11:35

Apesar de o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio brasileiro ter avançado nos últimos anos, o país ainda está distante do projetado e apenas o estado de Goiás chegou na meta estabelecida na edição de 2019 da avaliação – considerando escolas públicas e privadas.

A média nacional na avaliação subiu de 3,8 pontos, em 2017, para 4,2, mas continuou distante da meta traçada para 2019, de 5 pontos. Houve uma ligeira queda, de 0,1 p.p, entre a diferença da nota e da média (em 2017, a meta era de 4,7 e o resultado alcançado pelo Brasil foi de 3,8).

Os resultados do Ideb (veja nos gráficos abaixo) foram divulgados nesta terça-feira (15) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em Brasília.

Em comparação com a avaliação anterior, de 2017, todos os estados apresentaram aumento na nota do Ideb, exceto Sergipe, que se manteve estável. Goiás, com 4,8 pontos, foi o único a atingir a meta (também de 4,8 pontos).

Em termos de variação, a menor diferença entre a meta e a nota na avaliação foi de 0,4 ponto, no estado do Amazonas. Já as maiores diferenças foram registradas em Roraima e Santa Catarina: 1,2 ponto percentual.

Considerando apenas a rede estadual, que é responsável por mais de 97% das matrícula – evidenciando que o ensino médio é predominantemente de responsabilidade dos governos estaduais e do Distrito Federal –, o estado de Pernambuco também superou a meta, com nota 4,4 no Ideb (ante objetivo de 4,3).

“Existem algumas regiões que não vão ter os dados perto da realidade. Esses dados só não vem mais perfeitos, porque o município ou região não mandaram os dados como a gente queria”, disse o ministro da Educação, Milton Ribeiro.

“Existe parâmetro para cada estado. Avaliação e sempre em relação a expectativa que o Inep tem em cada região. Quando ele ultrapassa a expectativa, aí ele vai ter mais processo que outro. Mas nós olhamos com muito critério cada estado, baseados em número não fictícios, mas em números muito verdadeiros.”

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O Ideb é o principal indicador de qualidade da educação básica no Brasil e é usado também para estabelecer metas para a melhoria do ensino. A nota é representada em escala de 0 a 10, calculada a cada dois anos para os anos iniciais e finais do ensino fundamental e para o ensino médio.

A nota no Ideb é calculada a partir de dois componentes: a taxa de rendimento escolar (aprovação) e as médias de desempenho nos exames aplicados pelo Inep.

Os índices de aprovação são obtidos a partir do Censo Escolar, realizado anualmente. As médias de desempenho utilizadas são as da Prova Brasil, para escolas e municípios, e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), para os estados e o país, realizados a cada dois anos.

Apesar de o Ministério da Educação ter como objetivo que o país chegue a 6 pontos no Ideb até 2022, nota correspondente ao sistema educacional de países desenvolvidos, as projeções do próprio Inep mostram que esse cenário parece distante no Ensino Médio.

Isso porque para o projetado para 2021, apenas Santa Catarina, Espírito Santo e Minas Gerais (todos com meta projetada de 5,6) e Rio Grande do Sul (com meta projetada de 5,5) ficariam perto deste objetivo.

Avaliação positiva nos anos iniciais do Ensino Fundamental

Nos anos iniciais do ensino fundamental – que abrange do 1º ao 5° ano – o desempenho do país teve um ligeiro aumento, passando de 5,8 para 5,9 na nota nacional e superando a meta de 2019 em 0,2 ponto.

Apesar do avanço médio, os estados do Amapá, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal, não atingiram suas metas. Por outro lado, entre os desempenhos que mais avançaram, o Inep destacou Ceará e Piauí, que superaram a meta proposta para 2019 em 1,3 e 1,1 ponto, respectivamente.

Além disso, nove estados também já superaram a meta de 6 pontos na avaliação: São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Ceará, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Distrito Federal e Rio Grande do Sul – mesmo com os dois últimos não alcançaram a meta planejada para 2019.

Ao se considerar apenas a rede pública de ensino, o Ideb do Brasil nos anos iniciais do Ensino Fundamental é 0,2 ponto inferior ao Ideb total – 5,7 pontos, ainda acima da meta de 5,5 pontos.

O Inep diz haver uma trajetória consistente de melhoria neste recorte, superando a meta proposta e proporcionando aumento de 2,1 pontos no Ideb da rede pública entre 2005 e 2019.

A rede pública do estado do Ceará apresentou a melhor evolução nesse mesmo período, passando de 2,8 em 2005, para 6,3 em 2019, ritmo de crescimento quase duas vezes superior à média nacional.

Seis estados, Amapá, Roraima, Sergipe, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, e o Distrito Federal, continuam abaixo das metas nos anos iniciais ao considerar apenas as escolas públicas.

Considerando todas as escolas públicas, 61,6% dos municípios alcançaram a meta proposta para 2019, informou o Inep. Os estados com maior percentual de municípios que atingiram a meta foram Ceará (com 98,9%), Alagoas (94,1%) e o Acre (85,7%). Abaixo de 50% estão Amapá, Amazonas, Maranhão, Pará, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins.

A rede privada de ensino, responsável por 19,2% das matrículas nos anos iniciais do ensino fundamental, apresenta Ideb 1,4 ponto superior ao observado na rede pública, mas não alcançou a meta proposta para 2019.

A média nacional foi de 7,1 pontos ante o resultado esperado de 7,4. O destaque nessa categoria é o fato de 14 estados e o DF apresentarem nota igual ou superior a 7 na avaliação.

Anos finais avançam, mas seguem abaixo da meta

Já em relação aos anos finais do Ensino Médio – do 6º ao 9º anos – também houve avanço, alcançado índice igual a 4,9, mas o país não atingiu a meta proposta para 2019, de 5,2 pontos.

Segundo o Inep, 21 estados e o DF aumentaram suas notas no Ideb, mas apenas 7 conseguiram a nota esperada: Amazonas, Piauí, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Paraná e Goiás.

O registro negativo foi a queda do Ideb nos anos finais do ensino fundamental nos estados de Santa Catarina e Mato Grosso.

Considerando apenas a rede pública, que concentra 84,6% das matrículas, a nota no país no Ideb é 0,3 ponto inferior nos anos finais do ensino fundamental: 4,6 pontos para uma meta de 5.

Considerando todas as escolas públicas, 23,1% dos municípios alcançaram a meta proposta para 2019 para os anos finais do ensino fundamental. Destaca-se, novamente, o Ceará com índice superior a 83,7%.

Por outro lado, é possível observar que, em 23 estados, menos da metade de seus municípios alcançaram a meta proposta para o ano de 2019.

A diferença no desempenho no Ideb entre a rede privada e a rede pública é maior nos anos finais (1,8 ponto) quando comparada aos anos iniciais (1,4 ponto) do ensino fundamental.

Em sete estados, o desempenho observado nas escolas particulares em 2019 foi inferior ao observado em 2017. Além disso, o conjunto das escolas particulares não atingiu a meta proposta para 2019.